Escritor que viveu 30 anos preso não consegue emprego fixo

Autor de cinco livros, Luiz Alberto Mendes, 63 anos, passou metade da

Publicado em 01/05/2015 - 14:39 Por Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Autor de cinco livros, um deles com mais de 15 mil exemplares vendidos, Luiz Alberto Mendes, 63 anos, passou metade da vida na prisão. E, apesar de já ter saído da cadeia há 11 anos e de contribuir com textos para uma revista de grande circulação, ele conta que nunca conseguiu um emprego com carteira assinada.

Escritor Luiz Alberto Mendes

Autor de Memórias de um Sobrevivente, Luiz Alberto Mendes diz que nunca conseguiu emprego com carteira assinada depois de sair da prisão Divulgação/Companhia das Letras

“Como autor, eu ganho muito pouco. Não dá para manter a estrutura. Então eu já cheguei até a fazer trabalho de conclusão de curso para alunos de faculdade, para poder sobreviver. Ninguém se propõe a me dar um trabalho, principalmente pelo fato de eu ser egresso e também por já ter 63 anos. Mas eu já estou há 11 anos aqui fora. E nesses 11 anos, não encontrei uma pessoa que quisesse me dar um emprego fixo, de carteira assinada. Eu não pago INSS, se eu ficar doente e não puder produzir, já era”, conta.

Apesar disso, Mendes, que deve lançar seu sexto livro neste ano, uma continuação de sua obra mais bem-sucedida Memórias de um Sobrevivente, se considera “mais ou menos encaminhado”, já que consegue manter uma casa para a família. A realidade para a maioria dos egressos do sistema penitenciário é muito mais cruel.

Empresas não dão muitas oportunidades. E vagas em trabalhos domésticos também são muito difíceis. “Quem é que admite na sua casa, uma pessoa que não conheça? Então, essas meninas que saem do presídio, saem numa situação terrível. As grandes empresas não pegam, os lares onde elas poderiam trabalhar também não. O que elas fazem?”.

Mendes diz que muitos moradores de rua que vivem “nas calçadas, comendo restos de restaurantes” são egressos do sistema penitenciário. “Eles não encontram trabalho e aí, o que vão fazer? Socialmente, ninguém se importa com isso, mas é uma tragédia social. Só no estado de São Paulo, de cada quatro pessoas que saem da prisão, apenas uma fica na rua. O índice de reincidência é 75%. No fim, quem é que vai segurar essa onda? É a população, porque é contra a população que eles vão cometer os crimes”, destaca.

"O perfil do presidiário é o mesmo da pessoa pobre que vive em favela, em situação precária. Apenas as opções são diferentes. As pessoas aqui fora acham que o governo vai abrigar, arrumar trabalho, dar uma estrutura. Vai nada. Não há nada mais elucidativo sobre a necessidade de dar oportunidade a essas pessoas do que se você não der emprego, ela não terá outra opção do que voltar ao crime.”

Edição: Lílian Beraldo

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
Soccer Football - Brasileiro Championship - Palmeiras v Corinthians - Pacaembu Stadium, Sao Paulo, Brazil - November 9, 2019   Palmeiras' Bruno Henrique celebrates scoring their first goal   REUTERS/Rahel Patrasso
Esportes

Rivais divergem sobre testes da covid-19 antes de final do Paulistão

Com time confinado, Corinthians dispensa exames para detectar a presença do novo coronavírus. Palmeiras contesta posição do rival.

Brenda Castillo, líbero, Sesi Vôlei Bauru
Esportes

Sesi Bauru e Montes Claros América investem pesado em reforços

 A renomada líbero dominicana Brenda Castillo retorna ao time paulista. Quem também está de volta é o experiente Tiago Brendle, de 34 anos, que fechou com o clube mineiro.

Comércio da cidade do Rio de Janeiro funciona com restrições
Saúde

Estado do Rio tem 168.064 casos de covid-19 desde início da pandemia

Desde ontem foram registrados 32 óbitos e 839 pessoas infectadas pelo novo coronavírus. O estado soma agora 13.604 mortes pela doença e 144.850 pacientes recuperados. 

Hospital de campanha do Maracanã no Rio de Janeiro
Justiça

Justiça do Rio impede fechamento de hospitais de campanha

Segundo secretaria, hospitais de São Gonçalo e do Maracanã estão abertos, mas sem pacientes por causa de vagas em unidades regulares da rede estadual.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, fala à imprensa , após reunião com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada
Justiça

Defesa de Onyx assina acordo de não persecução penal com a PGR

Apesar do acordo fechado com a PGR, é necessário que o caso seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal. Ministro-relator vai decidir se homologa acordo.

Hospital de campanha para vítima de Covid-19 em Santo André, São Paulo
Saúde

Covid-19: Brasil registra mais 561 mortes; total chega a 94.665

Doença atingiu 2,75 milhões de brasileiros; 69,5% já se recuperaram. Atualmente, 743.334 pacientes estão em acompanhamento.