Brasil precisa mudar conceitos para acabar com racismo, diz professor

Publicado em 12/05/2015 - 21:30 Por Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O professor e jornalista Edson Cardoso avaliou hoje (12) que, para acabar com o racismo no país, é preciso superar a cultura baseada na valorização da pele clara e fazer mudanças no sistema educacional, que não valoriza todos os brasileiros como iguais. Cardoso respondeu a perguntas de membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres, em Brasília.

“Na escola conseguimos colocar que a escravidão aconteceu antes das Pirâmides do Egito, mas a escravidão está aí. Temos que compreender que somos envolvidos em uma ideologia que exclui essas pessoas [negros]. Então, não vamos avançar se não formos capazes de mudar, mexer no sistema educacional, na representação do humano”, disse o professor.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres ouve o professor e jornalista, militante da igualdade racial, Edson Cardoso (Wilson Dias/Agência Brasil)

O professor e jornalista Edson Cardoso diz que a população estigmatiza as pessoas negras como inferioresWilson Dias/Agência Brasil

Na opinião de Cardoso, a população estigmatiza as pessoas negras como inferiores e essa mentalidade limita o potencial da sociedade como um todo. “Sabemos todos que estigmatização é desumanização. Se mais da metade da população são atingidos pela estigmatização, como é a população negra, temos que pensar nos efeitos no conjunto da sociedade. O que significa uma sociedade onde grande parte da população é considerada menos humana e inferior?”

Para o presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), há um genocídio de negros no Brasil. “É fundamental essa compreensão da democracia racial no país. E o professor traz essa compreensão de como o racismo ficou estruturante nas instituições de poder no Brasil. Ela se soma à compreensão de que de fato há no Brasil um genocídio em relação aos jovens negros”, destacou o deputado.

A audiência pública feita hoje se soma a trabalhos já feitos pela CPI, como uma audiência no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Entre os próximos passos da comissão está ouvir os secretários de Segurança Pública sobre o modelo de policiamento praticado nas cidades, além de representantes do Judiciário.

Para o presidente da comissão, a Justiça não funciona quando há crimes contra a vida, apenas nos casos de crimas contra o patrimônio. “Não podemos admitir que a cor da pele seja questão determinante da ordem pública, da segurança pública”, disse o parlamentar. Segundo ele, o objetivo da CPI é compartilhar responsabilidades sobre segurança pública entre União, estados e municípios.

A comissão deve propor, ao final dos trabalhos, que cada município tenha seu plano de enfrentamento a homicídios. Ainda há a ideia de trabalhar, com uma série de ministérios, políticas públicas que mudem as condições de vulnerabilidade dos jovens negros.

A  CPI foi instalada, no final de março, motivada por dados como o Anuário da Violência de 2014, que revelou que, das 56.337 pessoas assassinadas no Brasil, em 2012, mais de 30 mil são jovens, a maioria negra, do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.

Edição: Fábio Massalli

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