Seminário LGBT no Congresso é marcado por críticas à intolerância religiosa

Publicado em 20/05/2015 - 20:45 Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil - Brasília

As comissões de Legislação Participativa, de Cultura e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática realizam o 12 Seminário LGBT do Congresso (Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

Para os participantes religiosos do 12º Seminário LGBT,  o discurso de ódio e a violência não refletem os fundamentos das religiõesGabriela Korossy / Câmara dos Deputados

O primeiro dia do 12º Seminário Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) do Congresso Nacional: Nossa Vida d@s Outr@S foi marcado por críticas à intolerância religiosa e ao discurso de ódio contra homossexuais no Parlamento e na sociedade. A questão foi tratada desde a abertura, quando o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) informou não ter contado com o apoio da Presidência na divulgação do evento. 

"Tivemos de enfrentar os deputados conservadores para conseguir aprovar o ‎Seminário LGBT. O discurso de ódio está também dentro do Congresso. Nosso compromisso é confrontar o ódio com a empatia", disse Jean Wyllys.

Segundo líderes religiosos convidados para o debate, o discurso de ódio e a violência não refletem os fundamentos das religiões. "Intolerância no Brasil tem rosto. É cristã. Não se vê intolerância nas religiões judaica e muçulmana. A intolerância mostra a falta de abertura para se estabelecer um diálogo saudável entre a tradição e o processo de modernização", alertou a secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), pastora Romi Becker, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

De acordo com a pastora, a intolerância religiosa é um dos grandes desafios do Brasil e há a necessidade de o cristianismo voltar-se para suas fontes de tolerância e diálogo. "Muitas pessoas se identificam como de uma religião, mas desconhecem essa religião."

"O recurso da violência em nome do credo religioso constitui uma deformação do ensinamento da religião [católica]. O uso da violência nunca poderá justificar ações válidas na religião nem promover o sentimento religioso autêntico", explicou o sacerdote católico da Diocese de Lorena (SP) Wagner Ferreira da Silva, que faz parte da comunidade Canção Nova.

Wagner acrescentou que prefere ser acusado de irenista, alguém que, segundo ele, busca a paz de forma idealista, do que estar "entre aqueles que, em nome da religião, promovem o ódio ou o espírito de vingança porque não têm coragem de amar indiscriminadamente o próximo como fez Jesus".

Na abertura do seminário, Jean Wyllys criticou a postura da presidência da Câmara, que, segundo ele, recusou-se a divulgar o evento. O deputado já havia denunciado a questão nas redes sociais. 

Por meio da assessoria de imprensa, a presidência da Câmara esclareceu que não divulgou o seminário por não se tratar de evento institucional e tratar de questões que "não são consenso na sociedade". A Casa informou ainda que todos os veículos internos fizeram a cobertuda do seminário.

 Nossa Vida d@s outr@s Empatia, a verdadeira revolução (Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados)

A cantora Daniela Mercury e a jornalista Malu Verçosa participaram da abertura do eventoGabriela Korossy / Câmara dos Deputados

O seminário é organizado pelas comissões de Legislação Participativa, Cultura e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, a pedido dos deputados Jean Wyllys, Luiza Erundina (PSB-SP), Glauber Braga (PSB-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP) e Luciana Santos (PCdoB-PE).

Os debates continuam amanhã (21), com discussões sobre agressão, injúria, difamação, tolerância e respeito às diferenças. Na abertura do seminário, a cantora Daniela Mercury, uma das estrelas do evento, beijou a mulher, Malu Verçosa.

 

Edição: Armando Cardoso

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