Malala anuncia apoio a três ativistas que lutam pela educação no país

Brasileiras passam a integrar Rede Gulmakai, ligada ao Fundo Malala

Publicado em 10/07/2018 - 21:56 Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

A paquistanesa Malala Yousafzai, que é ativista pelo direito à educação, anunciou hoje (10) três brasileiras que passam a integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que apoia ativistas da área da educação de meninas e mulheres em vários países. Premiada em 2014, Malala foi a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, em visita  à capital paulista, participou de evento promovido pelo Itaú Unibanco, no Auditório Ibirapuera.
A ativista paquistanesa Malala Yousafzaien em evento no Brasil (Rovena Rosa/Agência Brasil)

As escolhidas são ligadas às organizações não governamentais Ação Educativa (Denise Carreira), Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Sylvia Siqueira Campos) e Associação Nacional de Ação Indigenista (Ana Paula Ferreira de Lima).

“A Malala é um símbolo contra a intolerância, contra os fundamentalismos. Esse momento que nosso país atravessa, em que a intolerância cresceu muito, com a ação de grupos ultraconservadores no país e especialmente nas escolas, esse reconhecimento constitui uma conquista política. Uma conquista principalmente política de ter uma pessoa como Malala apoiando uma agenda que está sendo tão atacada no Brasil, que é uma agenda da igualdade de gênero na educação”, avaliou Denise Carreira, uma das contempladas pelo Fundo Malala.

Ação educativa

Ativista de direitos humanos, ela é coordenadora da organização Ação Educativa (http://acaoeducativa.org.br) – fundada em 1994 – e da campanha Direitos Valem Mais, uma mobilização nacional pela revogação da Emenda Constitucional 95/2016 (conhecida como emenda do teto dos gastos públicos,). Segundo ela, a emenda cortou os recursos da educação pública e de outras políticas sociais, inviabilizando o Plano Nacional de Educação e fazendo com que o país voltasse ao Mapa da Fome da FAO.

Com o apoio do Fundo Malala, Denise pretende expandir seu trabalho sobre a igualdade de gênero na educação, especialmente contra a perseguição promovida por grupos ultraconservadores a professoras, estudantes e gestores educacionais que abordam as questões da igualdade de gênero nas escolas. “Tem uma outra linha que é o fortalecimento de coletivos juvenis em escolas que atuam pelos direitos das meninas e mulheres, coletivos que trabalham com a luta antirracista e também na defesa de direitos LGBT”, acrescentou.

Mirim

Outra ativista contemplada é Sylvia Siqueira Campos, presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim) (http://www.mirimbrasil.org), com sede no Recife (PE). O movimento, criado em 1990, tem como objetivo lutar pelos direitos fundamentais de crianças, adolescentes e jovens, combatendo a discriminação de raça, gênero, origem, condições de vida, credo religioso e ideologia política.

“Quando nos envolvemos em algo por amor e por consciência, esperando nada em troca, a vida é muito dura, mas a luta vale a pena, inclusive por prêmios desse tipo [apoio do Fundo Malala], que vão tornando o caminho mais fácil e mais esperançoso. O apoio vem, sobretudo, para desenvolvermos uma estratégia que tem três anos de duração, inicialmente, para podermos influenciar a política pública de educação no estado de Pernambuco”, disse Sylvia.

“Precisamos enxergar a educação como, de fato, um bem comum que qualquer pessoa, seja o filho de um presidente da Infraero ao filho do gari, possa sentar e estudar na banca lado a lado. Se a gente de fato quiser promover uma educação pública de qualidade, temos que olhar nesse sentido e não fazer uma escola que vai ser de referência, mas na verdade para pouquíssimas pessoas terem acesso”, acrescentou.

Segundo Sylvia, o foco do projeto desenvolvido com o apoio do Fundo Malala será em estudantes negras, periféricas, quilombolas e indígenas. “Esse projeto tem atividades de formação junto com meninas, tem atividades de mobilização de territórios, trazer comunidade, familiares, tem uma estratégia de diálogo com a mídia e tem ações de advocacy [ações para influenciar a formulação de políticas e a destinação de recursos públicos] no Poder Legislativo e no Poder Executivo para incidência na política pública de educação”.

Anaí

A terceira a receber apoio do Fundo Malala é Ana Paula Ferreira de Lima, uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí) (http://anai.org.br/), com sede em Salvador (BA). Criada em 1979, a associação tem o objetivo de promover e respeitar a autonomia cultural, política e econômica e o direito à autodeterminação dos povos indígenas.

Ela já foi professora e atua para elevar o número de meninas indígenas que terminam os estudos no estado da Bahia. A entidade divulgou que, hoje, a Anaí recebeu Malala Yousafzai. “O Fundo Malala, organização que ela representa, irá apoiar um projeto em parceria com a Anaí. Iremos trabalhar com garotas indígenas entre 14 e 17 anos. O foco do projeto é a educação, símbolo da luta de Malala no mundo”, divulgou a associação.

Edição: Davi Oliveira

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
Andreia Reis/ Cinemateca Brasileira
Geral

Transferência de posse da Cinemateca foi concluída, afirma ministério

A Cinemateca Brasileira, dona do maior acervo audiovisual da América do Sul, deixa de ser administrada pela Fundação Roquette Pinto e passa a ser patrimônio da União.

dólar
Economia

Dólar supera R$5,40 e fecha no maior valor desde junho

Negociações foram afetadas por mercado externo, com estagnação no mercado de trabalho norte-americano e impasse nas discussões de novo pacote de estímulos nos EUA.

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, apresenta a versão digital do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLVe).
Justiça

TRF2 nega soltura a secretário afastado de Transportes de São Paulo

Baldy teve prisão temporária decretada pela primeira instância da Justiça Federal no Rio na Operação Dardanários, que apura fraudes em contratações na área de Saúde

exame coronavirus COVID-19
Saúde

Covid-19 já causou mais de 14 mil mortes no estado do Rio

O número de pacientes que se recuperaram da covid-19 no estado do Rio chegou a 156.785. Estão em investigação 985 mortes por possível relação com o coronavírus.

 O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, anuncia a nova modalidade do programa Corujão da Saúde, durante entrevista à imprensa
Educação

Prefeito de SP diz que volta às aulas na capital não tem data definida

Segundo ele, o retorno presencial poderá ocorrer a partir de 7 outubro, mesma data definida para o retorno pelo governo do estado, nos meses seguintes, ou até em 2021.

Saúde

Amapá, Ceará e Rio de Janeiro seguem em alerta de uma segunda onda

O Boletim InfoGripe da Fiocruz indica que Amapá. Ceará e Rio de Janeiro mantêm o sinal de retomada do crescimento de novos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).