Blairo Maggi diz que poderá faltar carne se paralisação continuar

Se movimento permanecer até quinta, produtores estimam alta de preços

Publicado em 29/05/2018 - 19:31 Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

Após reunir-se na tarde de hoje (29) com produtores de proteína animal, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, disse que a continuidade da paralisação dos caminhoneiros pode significar falta de carne nas prateleiras dos açougues e supermercados. Representantes do setor admitem também aumento de cerca de 30% no preço dos produtos.O encontro ocorreu paralelamente ao Fórum de Investimentos Brasil 2018, em São Paulo.

“Se não tem como alimentar os mercados, as plantas, vai faltar para a população”, falou o ministro a jornalistas. Segundo Maggi, o prazo para normalização das atividades e transportes de carga seria quinta-feira (31). “Os relatos deles [dos representantes do setor] aqui hoje é que, na melhor das hipóteses, até quinta-feira desta semana eles não terão como tratar mais de 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos. Temos uma capacidade de abate de 23 milhões de aves por dia e essas aves, não sendo abatidas, elas entrarão em colapso e irão morrer de forma natural por falta de comida ou de nutrição”, acrescentou.

Levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) alerta para um aumento na mortandade de animais nos polos de produção pelo país por falta de alimentação, uma vez que os bloqueios nas estradas impede a chegada de ração. 

Maggi explicou que uma das preocupações do setor é em relação ao aprimoramento genético das aves, que pode ser perdido. “O sistema de produção de aves vem da parte genética, das bisavós para as avós e vem das matrizes, de onde saem os ovos para nascer os pintinhos. Se perdemos esse estoque de bisavós e de avós que temos no Brasil, que é o material genético, que também é exportado, vamos perder a sequência do que fizemos. E poderemos demorar até dois anos e meio para recuperar o que temos hoje na avicultura. Isso significa dizer que o Brasil passará de um grande exportador de aves para um importador em pouco tempo”, falou o ministro. 

Aumento nos preços

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), com a paralisação dos caminhoneiros, o setor deixou de faturar US$ 170 milhões com exportações. “Estamos com 120 frigoríficos parados [entre cerca de 290 frigoríficos que abatem no país]. A parte de insumos está totalmente prejudicada. Não há mais como não aumentar preço em relação ao estrago feito [pela paralisação]”, disse Antonio Jorge Camardelli, presidente da Abiec.

Segundo ele, ainda não é possível avaliar de quanto seria esse aumento porque não foi feito um levantamento sobre o prejuízo dos produtores. No entanto, segundo cálculos feitos pela ABPA – e considerando que a paralisação terminaria domingo - o valor de aumento para o consumidor poderia ser de até 35% no caso das aves e de 25% a 30% no caso de suínos.

“Tínhamos uma estimativa de que levaríamos dois meses para voltar ao fluxo normal. Que ficaríamos com uma perda, principalmente de exportação, de US$ 350 milhões. E teríamos uma redução de produção e aumento de custo em que seria viável a recuperação. Mas, a partir dessa nova perspectiva de que continuamos com mais de 170 frigoríficos parados, com mais de 1 bilhão de animais no campo sem poder receber alimentação e sem poder ser abatido, estamos prevendo dois impactos extremamente sérios na nossa cadeia: o primeiro é o aumento de preço do nosso produto o segundo é que a recuperação da nossa cadeia produtiva vai precisar de aporte financeiro governamental”, disse Rui Eduardo Saldanha Vargas, diretor técnico da ABPA.

O tempo de recuperação do setor, disse Camardelli, será longo. “No caso da cadeia bovina, tenho 1,4 mil [animais] na rua, trancados e presos. E tenho perecibilidade dos produtos. Se essa crise não se resolver até quinta-feira, seguramente o ciclo está quebrado. As programações não serão oferecidas de acordo com o cronograma", disse, acrescentando que os empregos do setor também estão prejudicados. 

Crédito

Os representantes do setor disseram à imprensa que será preciso crédito do governo para que os produtores enfrentem os problemas provocados pela greve dos caminhoneiros. Mais cedo, em entrevista exclusiva à EBC, o ministro Blairo Maggi já havia admitido a necessidade de crédito para auxiliar o setor. “O setor vai demandar crédito do governo senão vai ser um problema a mais que vai se refletir em inflação”, disse Camardelli.

Edição: Amanda Cieglinski

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