Guedes diz que país mantém determinação de "furar ondas da crise"

A primeira, da saúde, já está sendo enfrentada, depois vem a econômica

Publicado em 29/05/2020 - 17:47 Por Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje (29) que o governo mantém-se resiliente e inabalável na determinação de furar as duas ondas provocadas pela crise da pandemia da covid-19: primeiro, a da saúde, que já está sendo enfrentada, e depois a da economia. Segundo o ministro, o país caiu rápido, e a volta depende de ações próprias.

Guedes disse que quer ver a economia em movimento semelhante a um "V", com recuperação após a queda, porque os sinais vitais estão mantidos, mas ressaltou que isso depende da reação do país.

“Pode ser um 'U', ou pode ser um 'L', de cair e virar depressão. Prefiro trabalhar com o 'V'. Pode ser um 'V' meio torto? Pode. Pode ser um 'V' light? Pode. Caiu rápido, vai subir um pouco mais devagar, mas ainda é um 'V'”, explicou o ministro, ao participar de debate virtual promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre propostas para o desenvolvimento do mercado de gás natural nacional que compõem o estudo Gás para o Desenvolvimento, divulgado nesta semana pelo banco.

Guedes disse que é preciso concentrar esforços para superar a crise e aperfeiçoar as instituições democráticas, valorizar a estrutura institucional existente, em vez de se jogarem uns contra os outros, de atrapalharem uns o trabalho dos outros. Segundo o ministro, é preciso entender que isso (covid-19) veio de fora. "O vírus veio de fora e está atacando o mundo inteiro."

Ele afirmou que, no governo, ninguém quer apoio a erros. “Cometemos erros? Nos condenem, nos critiquem, nos ajudem. Mas também, no meio de uma luta para salvar vidas, ficar sendo apedrejado enquanto ajuda, a mim não me derruba, não me afeta. Eu acho um crime contra a população brasileira. Não contra mim, contra o presidente da República, ou contra quem for, ou a qualquer um de nós”, disse.

O ministro enfatizou que, em uma democracia, é natural haver divergências. “É uma virtude da democracia a demarcação de territórios. É natural. Quando um poder pisa no outro, o outro dá um empurrão de volta. Isso é natural. Não é para a gente dizer que o Brasil vai acabar por causa disso, que nunca mais vai funcionar, que é uma destruição do capital institucional que nós temos, que é um golpe. Não tem nada disso. É natural. É da própria crise”, afirmou.

Entendimento

Para Gueses, não se pode dividir a questão entre a saúde e a economia. “Alguém acha que a asa esquerda é mais importante, outro acha que é a asa direita. Um pássaro não voa sem as duas asas. As pessoas não vão conseguir tocar a economia preocupadas com a saúde. As pessoas não vão salvar a saúde se destruírem a economia. O pássaro, para voar, precisa das duas asas, da saúde e da economia. Uma asa foi atingida – a primeira – e agora a segunda começa a ser atingida."

Guedes pregou o entendimento e a união no Brasil. “Precisamos de cooperação, colaboração, compreensão, solidariedade, fraternidade. É natural que, nessa ansiedade – cada um a seu estilo – um pise no pé do outro. Quem foi pisado, dá um empurrão de volta. Agora, acabou: um deu empurrão, outro tomou empurrão de volta, e todo mundo empurrando para chegar à margem. Quando chegar à margem, começa a briga de novo. Pode brigar à vontade, na margem. Se brigar a bordo do barco, o barco naufraga.”

Exportações e crédito

O ministro destacou que, nesta crise, o Brasil foi a única economia do mundo que manteve o crescimento das exportações. “Em uma crise como essa, que está rompendo cadeias globais de produção, os países parando de exportar uns para os outros,;no nosso caso, como a gente exporta comida, está aumentando a demanda por exportações brasileiras.”

A oferta de crédito, no entanto, não segue o mesmo ritmo. Como reflexo da pandemia, a demanda por crédito aumentou de forma explosiva, apesar de haver mais crédito, mas não na quantidade necessária. “O capital de giro das empresas brasileiras desapareceu porque a economia travou. Quando todas as empresas têm uma queda no faturamento, porque o Brasil desacelerou fortemente, é natural que falte capital de giro”, explicou.

Saneamento

Na avaliação do ministro, os investimentos em saneamento serão fundamentais para a recuperação da economia brasileira. Ele disse que a legislação está no Congresso, pronta para ir adiante. “É só aprovar. São bilhões de investimentos que virão com o saneamento.”

Outro setor com que Guedes diz contar para recuperação é o de gás, que classifica como choque de energia barata. “A equipe do BNDES está trabalhando nisso há quase um ano. Vamos reindustrializar o Brasil em cima de energia barata. A nossa preocupação é gerar centenas de bilhões em investimentos, emprego, produtividade, energia barata, e é a transformação da economia brasileira”, afirmou, dizendo que o BNDES é peça essencial nesse processo.

Outro participante do debate virtual, o secretário executivo adjunto do Ministério de Minas e Energia, Bruno Eustáquio de Carvalho, disse quando se há transparência e qualidade regulatória, os nvestimentos no setor de gás aumentam. Segundo Carvalho, alguns estados da federação evoluíram em seus projetos nesta área e na adesão à regulação do mercado de gás. Entre os que partiram para a prática, estão o Rio de Janeiro, o Espírito Santo e Sergipe, que têm grande potencial. “Muito em breve, divulgaremos o manual de boas práticas regulatórias, desde a exploração e produção até a distribuição.”

O secretário elogiou o trabalho do BNDES na construção do modelo regulatório no setor de gás. O presidente do banco, Gustavo Montezano, respondeu que o Ministério de Minas e Energia é um importante cliente para a instituição. “O único pedido que faço ao ministério é nos use. O banco tem uma estrutura técnica que está à disposição”, afirmou Montezano.

Edição: Nádia Franco

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
Live da Semana - Presidente Jair Bolsonaro - 06/08/2020
Política

Pazuello diz que estados estão mais preparados para enfrentar pandemia

Ministro interino da Saúde participou de live ao lado do presidente. Mudança de protocolo do ministério foi um dos fatores que deixou estados mais preparados.

A cúpula  maior, voltada para cima, abriga o Plenário da Câmara dos Deputados.
Política

Senado aprova redução de prazos para revalidação de diplomas

O PL prevê a revalidação em prazo entre 30 e 60 dias no caso de instituições estrangeiras reconhecidas pelo Ministério da Educação e contam com um processo simplificado. 

Escola fechada por cinco dias após relatos de coronavírus.
Justiça

Justiça suspende retorno das aulas presenciais na rede privada do DF

A retomada foi autorizada na terça-feira pela primeira instância após outra decisão que a proibiu. Algumas escolas chegaram a retomar as atividades nesta quinta-feira.

Saúde

Ministério da Saúde monitora síndrome em crianças associada à covid-19

Síndrome inflamatória multissistêmica ocorre em crianças de 7 meses a 16 anos. Até agora, foram notificados 71 casos no Brasil e registradas três mortes.

Incêndio no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Divulgação/Parnaso)
Geral

Bombeiros combatem fogo na Serra dos Órgãos pelo terceiro dia seguido

Criado em 1939, o Parnaso é o terceiro parque mais antigo do país e costuma ser procurado para prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada e rapel.

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, apresenta a versão digital do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLVe).
Justiça

Preso pela PF, Baldy pede licença de cargo de secretário

Em nota, governo estadual destaca competência e postura idônea de Alexandre Baldy e informa que o secretário executivo Paulo Galli comandará temporariamente a pasta.