Volta às aulas na Uerj e no Colégio de Aplicação continua indefinida

Publicado em 09/03/2017 - 16:36 Por Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

A volta às aulas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e no Colégio de Aplicação (CAP-Uerj) continua indefinida. O atraso no repasse de verbas do governo do estado tem inviabilizado tanto a presença de profissionais de nível técnico quanto a manutenção de trabalhadores terceirizados, responsáveis pelas áreas de segurança e limpeza.

No CAP, o ano letivo de 2016 sequer terminou, e os alunos que deveriam estar cursando o último ano do ensino médio não sabem ao certo quando as aulas deste ano vão começar, o que leva a incertezas sobre a participação no vestibular e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no fim do ano.

“Estou acabando o segundo ano e ainda não sei quando vai começar o terceiro. Está bem difícil, não temos previsão de nada. Acho que vai faltar alguma coisa para a gente [para o Enem], no último ano. Está complicado para todo mundo. O governo não está dando a atenção que a gente precisa”, disse Raquel Assis, que pretende tentar uma vaga no curso de psicologia.

Para a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro, Regina Souza, a questão principal envolve a alocação de verbas, pois, além dos atrasos nos salários dos servidores, há dificuldade no pagamento dos trabalhadores terceirizados. “Só vão resolver a situação se tivermos garantia dos salários em dia e do 13º. Recebendo um parcelamento de R$ 800 e só ter R$ 80 na conta, não tem como sobreviver. Espero do governo ações concretas e positivas. O salário é um direito, verba alimentícia sagrada, prevista na Constituição", disse Regina.

"A situação da Uerj é mais que lamentável”, acrescentou.

A Secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pela Uerj e pelo CAP, divulgou nota informando que as pendências financeiras já foram enviadas para a Secretaria de Fazenda, que é  responsável pelo repasse dos recursos, e a Uerj tem autonomia administrativa para sua manutenção e para adiar o início das aulas.

“A secretaria assumiu o compromisso de atender às principais demandas apresentadas pela Uerj na reunião com o governador [Luiz Fernando Pezão], como restabelecer os serviços de limpeza, segurança e alimentação. Em conjunto com a Uerj, a secretaria está à disposição para renegociar contratos e restabelecer serviços essenciais dentro do princípio da economicidade para viabilizar o reinício das aulas, que será decidido pela instituição”, diz a nota.

Edição: Lílian Beraldo

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