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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Nacional de Brasília foi criada para ajudar a promover nova capital

Brasil. Final dos anos 1950. Sob ares de muita dúvida, mas, ao mesmo tempo, de muita expectativa, o país construía uma nova capital federal: Brasília.

Juscelino Kubitschek contava com o aval de grande parte dos militares e do empresariado brasileiro para construir, no meio do Planalto Central, a nova sede dos Três Poderes da República.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

Uma propaganda da época tem esse tom:

"Setembro de 1956. Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, Juscelino Kubitschek, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limite, lança os olhos sobre o amanhã do seu país".

E como fazer a população acreditar que o sonho da construção de Brasília se tornaria realidade? Como fazer um contraponto às críticas de jornalistas, políticos e de muitos cidadãos que não gostavam da ideia de ver a capital federal sair do Rio de Janeiro?

Que tal contar com a ajuda da emissora de rádio mais querida do país? É o que explica o historiador do Arquivo Público do Distrito Federal, Elias Manuel da Silva.

"A nova capital de Brasília estava sendo bombardeada por meios de comunicação, por políticos, partidos. E havia uma extrema força política e até de mídia do litoral brasileiro contra a capital. Então a Rádio Nacional de Brasília surge como uma estratégia de tentar criar aquilo que eu chamo de um Diário Oficial sonoro da nova capital. A rádio rompe aquele isolamento que a capital de Brasília tinha em relação àquela visibilidade nacional".

Em 1957, representantes da emissora e da Novacap, a estatal recém-criada para administrar a construção de Brasília, vistoriaram o terreno dos futuros estúdios.

E foi então que, no dia 31 de maio de 1958, dois anos antes da inauguração da nova capital, a Rádio Nacional de Brasília começou a operar, em ondas médias e ondas curtas, em um galpão provisório na quadra 507 da Avenida W3 Sul.

A solenidade de inauguração contou com a transmissão do programa César de Alencar, líder de audiência na emissora carioca e que, nesse dia, ocorreu no auditório da nova rádio em Brasília, na presença de vários artistas, como Angela Maria, Cauby Peixoto, Marlene, Emilinha Borba, Grande Otelo, Nelson Gonçalves e Pixinguinha.

Antes disso, JK faria seu discurso saudando a criação da nova emissora, em uma cidade que ainda sequer havia sido inaugurada.

"Das vertentes amazônicas às coxilhas gaúchas, e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir a sua voz, a partir deste momento, graças aos possantes transmissores da Rádio Nacional, que ora inauguramos".

Brasília é inaugurada

Até que veio a tão esperada inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960. A Rádio Nacional, que já estava instalada aqui, transmitiu para todo o país o discurso do presidente Juscelino Kubitschek.

"A data de hoje tornou-se duplamente histórica para o Brasil, porque a gloriosa evocação do passado junta-se, agora, à epopeia da construção desta nova capital que acabamos de inaugurar. Saudamos, assim, a um só tempo, o passado e o futuro de nossa Pátria, através de dois acontecimentos que se ligam no ideal comum que os animaram: o de fazer o Brasil afirmar-se como nação independente. O sonho dos inconfidentes de 1799 tem, nesta realização de 1960, a sua etapa derradeira, pois agora encontra o Brasil o seu verdadeiro destino e poderá caminhar mais solidamente para a completa emancipação".

César de Alencar voltou para a cidade nesse dia e, pela Rádio Nacional, fez um show histórico direto da Rodoviária de Brasília, no meio do povo.

"Então eu voltei em 1960, a convite do JK, para fazer o show popular da inauguração da cidade. O show de gala foi montado pelo Carlos Machado e foi feito no Palácio da Alvorada. E eu fiz o show da rua. Vieram os artistas todos e fiz num negócio que ainda não estava terminado e que era a Estação Rodoviária de Brasília. E ficou chamado de o Show dos Candangos, que é uma coisa que usam até hoje, né? Isso foi um motivo de grande honra para mim, a inauguração de Brasília". 

A nova emissora seria usada para contar aos brasileiros o andamento da construção da nova capital. Mas, ao mesmo tempo, servia também como prestação de serviço para os trabalhadores de todo o país que migraram de suas terras e vieram para o Cerrado.

O jornalista Valter Lima, que trabalha atualmente na Rádio Nacional de Brasília, conta a importância da emissora, naquela época, para tranquilizar os familiares dos candangos que construíam a nova capital.

"Ou seja, os candangos aqui construindo Brasília e seus parentes em muitas cidades, em praticamente todas as regiões do país. E a Rádio Nacional, então, servia de ponte para que as mensagens dessas pessoas pudessem chegar. Até mesmo para dizer que estava vivo, porque os parentes perdiam o contato com aqueles que aqui estavam e não sabiam qual era o destino, onde é que estava realmente essa pessoa. Então a Rádio Nacional fazia este papel".

O historiador do Arquivo Público do Distrito Federal, Elias Manuel da Silva, fala sobre o sucesso em transmitir a importância de Brasília.

"Ela funciona como um jeito de expressar a importância de Brasília para o Brasil. Ou seja, que Brasília não era apenas o projeto de um presidente louco, não era apenas o projeto de um presidente ousado. Não! Ela consegue transmitir, consegue passar a ideia que Brasília era um projeto para o Brasil. E isso é o mérito da Rádio Nacional".

Mas não era só a política que movia os corações de quem estava, literalmente, fundando a nova capital e suas cidades-satélites.

Os próximos anos vão revelar que a cultura que estava sendo vivida no centro do país teria, na Rádio Nacional de Brasília, uma parceria que nascia junto com a utopia de um novo país.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do documentário Brasília nas Ondas do Rádio, de Eduardo Monteiro e Diógenes Dias. A locução do discurso de JK foi feita por Mario Sartorello. Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.

 

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