Nacional volta a São Paulo na FM estendida e conquista prêmio da APCA
Neste especial, já te contamos da experiência que a Rádio Nacional teve na Terra da Garoa durante a década de 1950.

A Rádio Nacional AM de São Paulo foi inaugurada em 1952 por Victor Costa e rapidamente se tornou uma importante emissora, seguindo o modelo da matriz carioca e revelando nomes como Silvio Santos e trazendo a voz de Hebe Camargo em sua vinheta principal.
Após a morte de Victor Costa, em 1959, a empresa foi vendida a Roberto Marinho e, nos anos 1970, passou a se chamar Rádio Globo.
▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.
De lá para cá, a enorme quantidade de emissoras na cidade de São Paulo sempre dificultou que um novo canal da Rádio Nacional fosse instalado no espectro eletromagnético local.
Porém, mais de 60 anos depois, com a chegada da FM estendida na capital paulista e com o interesse da gestão da emissora em solicitar um canal na cidade, essa espera chegou ao fim.
Eis que entra, pela primeira vez, na maior cidade do país, em FM, a Rádio Nacional de São Paulo.
Era a Nacional FM transmitindo em 87,1 megahertz, a partir do dia 7 de maio de 2021, para toda a Grande São Paulo, como conta Victor Ribeiro, gestor da emissora na cidade.
“A Rádio Nacional aqui em São Paulo, nesse formato atual que ela tem, surgiu em 2021 no processo de expansão da rede da Nacional FM, mas na época ela era retransmissora do sinal de Brasília, apenas. Em 2023, eu e o Guilherme Strozi viemos para São Paulo para estruturar a programação local da rádio aqui. Essa programação entrou no ar em outubro de 2023 com o Manhã Nacional, programa que ia ao ar de 8h às 10h. Só que, na passagem de 2023 para 2024, a gente avaliou que, tecnicamente, seria melhor que o programa fosse feito à tarde”.
Aos poucos, a emissora começou a ser conhecida pelos ouvintes na cidade. Marcelo Abud, pesquisador de rádios e professor do tema na Universidade FAAP, em São Paulo, conta como foi seu primeiro contato com a nova FM.
“Bom, a primeira curiosidade é que eu tenho um radinho AM-FM e esse radinho pegou a Rádio Nacional. Ele não tinha a faixa estendida, mas como está em 87,1 e a faixa tradicional do rádio começa em 87,5, tem uma margenzinha ali. Então os rádios normais, sem faixa estendida, muitos, eu já fiz essa pesquisa, pegam a Rádio Nacional”.
E então, a partir de abril de 2024, entra no ar o programa Tarde Nacional São Paulo, exibido de segunda a sexta-feira, de 15h às 17h, ao vivo, direto dos estúdios da Nacional na cidade.
“Até que um dia, nessas zapeadas, eu caí no Tarde Nacional. Aí foi a revolução. Porque quando eu ouvi o Tarde Nacional ali no ar, eu achei aquilo muito, muito mágico. Porque eu estava ouvindo a Rádio Nacional com um programa que tocava MPB, mas que era vivo e que não só tocava música. Tem toda a linha editorial. Quando eu comecei a ver que tinha quadro de literatura, quadro de cinema, enfim, falava as dicas culturais, além de nos deixar informados, como ouvintes, sobre os principais fatos, o que tem de relevante acontecendo, então eu achei perfeito”.
Programa premiado
Atualmente apresentado por Victor Ribeiro, coordenador da emissora em São Paulo, e por Roberto Camargo, o Tarde Nacional reúne entrevistas, reportagens, prestação de serviço, agenda cultural, informações sobre trânsito e tempo.
Além de colunas de tecnologia, como Ajudante Digital, de descobertas musicais, como o Radar Sonoro, e de cinema, como o Tapete Vermelho.
A seleção musical combina artistas consagrados e novos nomes, incluindo músicas menos conhecidas e produções exclusivas. Além, é claro, de contar com a participação do público.
“Sempre ouvia falar de Rádio Nacional, mas aqui em São Paulo não tinha como encontrar. Até que um dia descobri por acaso a Nacional, gostei, nunca mais tirei. O programa Tarde Nacional é um dos melhores, inclusive já foi até premiado, e aqui a gente segue ouvindo a Rádio Nacional o dia inteiro. Música brasileira de qualidade e boas informações".
"Estou ouvindo vocês direto, aqui. Parabéns pela atitude, né? Porque as músicas são boas. Todas as músicas que tocam, é por isso que eu tenho escutado a rádio, né? Porque é só música boa”.
Em 2025, com pouco mais de um ano no ar, o Tarde Nacional São Paulo foi eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor programa cultural de rádio do ano. O prêmio reconhece o trabalho da equipe e o vínculo criado com o público paulista desde a estreia do programa.
“Mesmo que o ouvinte não perceba, tem um cuidado muito grande em programar músicas de mulheres, programar músicas de pessoas negras e indígenas, artistas trans, não binários. Porque aqui a gente está interessado em tocar música boa, independentemente de quem faça essa música boa. Música que esteja de acordo com o perfil de programação da Rádio Nacional”, diz Victor Ribeiro.
É a Rádio Nacional, com seus 90 anos de história, fazendo, mais uma vez, comunicação pública na maior cidade do país.
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.