Nacional faz 90 anos: o que queremos para o futuro da emissora
Queridas e queridos ouvintes, chegamos ao nosso último capítulo deste radiodocumentário sobre os 90 anos da Rádio Nacional.

Foram cerca de 10 horas de programação, divididas em 90 episódios, contando histórias da emissora mais querida do Brasil.
▶️ Este é o último episódio da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente foi ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicou todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.
Reunimos emoções, arquivos históricos, notícias e fatos marcantes que fizeram a nossa emissora chegar até aqui.
Neste 12 de setembro de 2026, a gente comemora nove décadas de existência. Nesta caminhada pelas ondas do rádio, a Nacional ajudou a moldar a cultura dos brasileiros e brasileiras e permanece firme e forte fazendo comunicação pública até hoje.
Neste último episódio, a gente aponta nossos microfones e caixas de som para o futuro. O que queremos da Rádio Nacional no caminhar da emissora rumo aos 100 anos de história?
Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, começa:
“O que eu enxergo para o futuro é uma improbabilidade, mas é o que eu enxergo. O Brasil precisa de um projeto nacional de comunicação pública, ou de radiodifusão pública. Claro que envolvendo as tecnologias que vão muito além da radiodifusão. Porque a comunicação comercial não supre tudo o que precisa ser suprido. Fica um vazio. E só a comunicação pública pode oferecer. Então eu vejo a Rádio Nacional como um embrião do que poderia ser isso”.
Tereza Cruvinel, ex-presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), faz uma sugestão estrutural sobre a complementaridade dos sistemas público e estatal.
“O projeto Rádio Nacional está incompleto. Primeiro, acho que a EBC tem que dar uma rádio para o governo. Não sei qual. Ela tem sete. Todos os poderes no Brasil têm uma rádio. O Senado tem, a Câmara tem, o Judiciário tem. Por que o Poder Executivo não tem uma rádio sua, do governo, para falar de coisas de governo? E temos duas cadeias de rádio que eu acho que dá para fazer: uma Rádio Nacional de notícias e a outra Rádio Nacional generalista, que vai ter música, vai ter programas diversos e tal”.
O professor Marcelo Abud, ouvinte assíduo da Nacional, aposta que precisamos sair do lugar comum.
“Eu acredito que o podcast pode ser um formato que expanda a programação da emissora. Se você faz mais um programa de entrevistas, você vai concorrer com 500 mil que estão fazendo a mesma coisa. Sua audiência vai ser micro. O formato é querido, mas é mais do mesmo. Eu faria programas que mexem com a imaginação”.
E o que pensam para o futuro da Rádio Nacional nossos colegas que fazem a rádio funcionar todos os dias?
A apresentadora do Tarde Nacional Rio, Glaucia Araujo, lembra da importância do rádio como companhia.
“Sempre gostei de ouvir rádio para ouvir pessoas falando. Eu não sou uma pessoa que gosta de ficar ouvindo música no rádio. Então, acho que nos próximos 90 anos, na Rádio Nacional, as pessoas vão continuar ligando o rádio para ouvir os comunicadores que estiverem lá com as suas reflexões, com as suas informações, suas opiniões, brincadeiras. Com a sua leveza, né, dentro desse peso que é a vida, né, de uma maneira geral”.
A repórter do Radiojornalismo da Nacional, Sayonara Moreno, defende reforços no corpo funcional da emissora.
“Diante de um cenário de tanta tecnologia, de inteligência artificial e um mundo com tantas fake news, a importância de profissionais capacitados para combater tudo isso e atrás de informações corretas e coerentes é fundamental, eu acho que tem que focar na equipe, no corpo funcional e em profissionais especializados em ir atrás de uma boa notícia e bem apurada”.
O jornalista da Nacional Gésio Passos afirma que a rádio poderia ter uma de suas emissoras com 24 horas de jornalismo no ar.
“A Rádio Nacional é um dos pilares para tornar a comunicação pública, a EBC, de fato relevante para o povo brasileiro. A rádio ainda é fundamental na formação da audiência e da opinião. Eu espero uma Rádio Nacional que consiga não só entreter, mas informar cada vez mais o público. Quero uma rádio nacional digital convergente que esteja na mão do cidadão a qualquer momento para que seja de fato uma potência. Uma rádio que possa também se derivar para um futuro canal de jornalismo 24 horas, um all news, onde a informação seja o principal”.
O jornalista Daniel Ito lembra da importância da Nacional se integrar com as novas tecnologias.
“É imprescindível que a gente encaminhe a Nacional para um caminho de digitalização, de modernização, de um contato diferente com o público, porque o formato da comunicação do rádio é o formato do áudio. Esse formato nunca vai morrer. Esse é o nosso trabalho enquanto Rádio Nacional”.
Mas, para tudo isso funcionar, é preciso investimentos, não é mesmo? É o que lembra a jornalista Juliana Maya, apresentadora da Nacional da Amazônia.
“O que eu espero para o futuro da Rádio Nacional é investimento em tecnologia, novos transmissores, para que a gente consiga alcançar um público maior com o trabalho que a gente já faz, que é um trabalho de excelência, mas que a gente precisa de uma forcinha para conseguir chegar ainda mais longe”.
O operador de áudio da Nacional Rio, Marcio Freitas, vai na mesma direção.
“Para o futuro, espero que o governo invista ainda mais nesse veículo para que possamos modernizar e atender cada vez melhor a nossa população. Que a Nacional continue se conectando às novas mídias, como podcasts, redes sociais e internet, dialogando sempre com a modernidade, mas sem nunca perder a sua essência principal”.
E, para fortalecer a Rádio Nacional como uma emissora pública, é crucial que a sociedade seja ouvida para montarmos a programação das nossas emissoras. O apresentador do Revista Rio, Dylan Araujo, dá a letra.
“Desde que foi incorporada pela EBC, a emissora também passa a ter a missão de promover a participação da sociedade civil organizada. Que essa missão renove as ofertas da Rádio Nacional no jornalismo, nas coberturas esportivas, na dramaturgia, no humor e na produção da música brasileira. Mas, agora, com uma troca mais intensa com seu público. Quem sabe com a realização de colóquios, audiências públicas ou outros dispositivos que permitam a atualização da grade de programação a partir dessa contribuição da sociedade”.
Fátima Santos, que apresenta o Tarde Nacional em Brasília, reforça a importância da reabertura da participação social nas rádios.
“O futuro da Rádio Nacional precisa começar hoje na valorização de todos os profissionais que atuam na emissora e na abertura de cada vez mais espaço para o cidadão, para a cidadã que nos acompanha, que conta com a nossa comunicação pública, isenta e de muita qualidade”.
A apresentadora Mara Régia se emociona ao lembrar que a rádio precisa estar onde o povo estiver.
“A gente precisa ampliar as nossas conexões a partir de parcerias, não só em nível universitário, mas principalmente, né, fazer desse rádio escola uma potência que lhe está sendo negada. Porque raramente a gente consegue levar essa nossa comunicação para onde o povo está”.
E claro, como nos esquecermos da música!
A Nacional pode e deve investir em novos talentos, como fala o nosso baluarte do samba, Rubem Confete.
“A Rádio Nacional poderia contribuir mais com música, cultura, literatura, poesia. Arte. Arte acima de tudo”.
É dessa forma que a rádio vai seguir conquistando corações pelo Brasil, como diz a jornalista Cynthia Cruz.
“Quando eu penso nos próximos 10 anos da Rádio Nacional, eu penso com muita esperança, porque a rádio não vai acabar. O rádio se transforma, se reinventa, encontra novos caminhos e continua chegando ao coração das pessoas. Eu espero realmente que a Nacional siga assim, com memória, com coragem, inovação e, acima de tudo, com muitas histórias novas para contar”.
São muitos os desafios para que, no futuro, a Rádio Nacional continue informando, inspirando, entretendo e garantindo aos brasileiros e brasileiras uma emissora de rádio que faça a diferença em nossas vidas.
Luciana Valle, apresentadora do programa É Tudo Brasil, resume um pouquinho da tarefa das emissoras da Nacional para a gente chegar aos 100 anos com afeto e relevância.
“Uma rádio nacional que fortaleça a comunicação pública como direito de todos e todas. Que tem uma programação comprometida com o bom jornalismo, que traga a música brasileira de todos os lugares e que mostre o Brasil em suas manifestações mais genuínas, mais bonitas, suas riquezas mais valiosas e suas histórias mais profundas. Parece até um sonho, né? Que bom que eu não sonho sozinha. É isso. Espero estar por aqui para continuar percorrendo com vocês essa longa jornada que os nossos pais, avós, bisavós trilharam lá em 1936. O amanhã não tardará. Então, até 2036”.
Feliz aniversário, Rádio Nacional! Celebremos estes 90 anos de história! O futuro da emissora mais querida do Brasil depende de toda a sociedade brasileira. Inclusive de você.
Créditos:
Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães. A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.