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Economia

Parceria entre Mercosul e UE vai movimentar PIB de mais de US$ 22 tri

Acordo foi assinado neste sábado, no Paraguai
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Renato Ribeiro - Repórter da Rádio Nacional
17/01/2026 - 16:30
Brasília
European Commission President Ursula von der Leyen shakes hands with Paraguay's President Santiago Pena, with European Council President Antonio Costa and Argentina's President Javier Milei next to them, on the day authorities of the European Union and the South American bloc Mercosur sign a free trade agreement, ending more than 25 years of negotiations, in Asuncion, Paraguay, January 17, 2026. REUTERS/Cesar Olmedo
© REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, o acordo que vai integrar dois dos maiores blocos econômicos do mundo. A parceria pode formar um mercado de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões.

O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Lula não viajou para o evento por questões de agenda. Para Vieira, após 26 anos de negociações, o acordo representa a convicção na democracia e na ordem multilateral. 

"O acordo representa um baluarte erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção. Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo: acreditamos na cooperação, no diálogo, e em soluções construídas de forma coletiva."

O ministro destacou ainda as palavras do presidente Lula.

"O presidente Lula destacou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é uma prova da força do mundo democrático e uma demonstração de compromisso com a ordem multilateral. Salientou igualmente que é possível alcançar por meio do livre comércio baseado em regras, prosperidade compartilhada e benefícios concretos para os povos europeu e sul-americanos."

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, país que preside temporariamente o Mercosul, falou sobre o acordo e destacou a participação brasileira nas negociações.

"Estamos vivendo um dia verdadeiramente histórico, muito esperado por nossos povos. Uma jornada que simboliza um marco ao unir duas das regiões e mercados mais importantes do mundo, Europa e América do Sul. Lula foi um dos impulsores fundamentais deste processo. Em seu nome, saúdo todos os líderes e visionários do Mercosul que apostaram à integração no século XXI."

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo cria a maior zona de comércio do planeta. Segundo ela, a iniciativa também envia um recado ao mundo de que houve a escolha do comércio, em vez de tarifas; e de uma parceria longa e produtiva no lugar do isolamento.

No mesmo sentido foi a fala do presidente do Conselho Europeu, Antônio Costa.

"Com este acordo, enviamos uma mensagem clara ao mundo. Um mensagem de defesa do comércio livre,  baseado em regras, do multilateralismo e do direito internacional como base das relações entre países e regiões. Este acordo é uma aposta decidida pela abertura, intercambio e cooperação frente ao isolamento, ao unilateralismo e ao uso do comércio como arma geopolítica."

Líderes da Bolívia, da Argentina e do Uruguai também participaram da cerimônia. Agora, o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A expectativa, segundo o governo brasileiro, é que a medida comece a vigorar no segundo semestre deste ano.