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Brasília (DF), 03/07/2026 - 90 anos em 90 histórias. Arte/Agência Brasil
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Série

Nacional migra para faixa estendida da FM e amplia presença no país

Quando falamos em uma emissora de rádio FM, fica fácil saber onde temos que sintonizá-la, certo? E quando falamos que a emissora está localizada na faixa de FM “estendida”?

Calma, é bem mais simples do que parece. Hoje a Rádio Nacional possui emissoras na faixa de FM estendida em algumas cidades do país. E isso acontece porque, a grosso modo, não cabiam mais emissoras FM na faixa tradicional.

▶️ Este episódio é parte da série 90 anos em 90 histórias, que originalmente vai ao ar em toda a cadeia Nacional, diariamente, às 10h e às 20h. A Radioagência Nacional publicará todas as edições, com reprodução gratuita. Ouça e baixe aqui.  

E aí, quando ocorreu o desligamento da TV analógica no Brasil, a partir do ano de 2016, uma parte das frequências que eram usadas pelos canais analógicos de televisão ficou livre no espaço eletromagnético.

Esse espaço, entre 76 e 88 megahertz, ficava logo abaixo da faixa tradicional do FM, que vai de 88 a 108 megahertz. Com a TV analógica desligada, essas frequências poderiam então ser usadas pelo rádio. Como explica É Israel Franke, engenheiro de rádio e TV da EBC.

“Com a implantação da TV digital, os antigos canais de televisão analógicos foram sendo desocupados. Isso acabou liberando uma parte do espectro, que até então era utilizada pela televisão. Aí nesse processo em que foi feita a migração e a digitalização, houve uma brecha e uma oportunidade de utilizar a faixa dos 76 MHz a 88 MHz. Isso surgiu como uma possibilidade para poder ampliar os serviços de FM nesses lugares onde o espectro estava congestionado. Foi daí que veio o nome FM estendida, né?”.

Nascia, assim, a FM estendida. A ideia era, principalmente, criar espaço para as rádios AM que queriam migrar para a FM, já que a faixa tradicional estava congestionada.

“Não estamos falando de uma nova tecnologia de transmissão, tá? É FM do mesmo jeito. A diferença é apenas a frequência utilizada. Uma emissora operando nessa faixa estendida continuou utilizando os mesmos conceitos básicos de uma emissora FM tradicional, como modulação em frequência, sistema irradiante, recepção, tudo é o mesmo. O que muda só é a faixa de frequência que é utilizada. A novidade está no fato dela operar em frequências abaixo de 88 MHz”.

E foi então que, em 7 de maio de 2021, a FM estendida deixou de ser apenas uma possibilidade e começou, de fato, a chegar aos ouvintes.

A EBC foi pioneira e estreou cinco emissoras da Rádio Nacional e da Rádio MEC na nova faixa. Todas na frequência 87,1 FM, espaço que ficou reservado para a EBC em todas as capitais.

Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Recife foram as primeiras capitais a receber as transmissões. Thiago Regotto, atual diretor-geral da EBC, conta que a empresa participava desse planejamento antes das instalações virarem realidade.

"Até porque a empresa tinha interesse em ter presença em todas as capitais do país com a programação da Rádio MEC e da Rádio Nacional. Quando, em meados de 2021, o governo liberou a ocupação dessa faixa, a gente já tinha um estudo para preservar o canal 87,1 em todas as cidades, para a EBC".

No Rio, a 87,1 FM passou a retransmitir a sua tradicional Rádio Nacional AM. Em São Paulo, retransmite a Nacional FM de Brasília e possui duas horas diárias de programação local. E, em Brasília, a Rádio MEC entrou na faixa da FM estendida.

Em Belo Horizonte, a EBC conta com a parceria da Empresa Mineira de Comunicação para retransmitir a Rádio MEC. E, em Recife, da Empresa Pernambuco de Comunicação para viabilizar a retransmissão da Rádio Nacional FM de Brasília, ambas na faixa estendida.

Melhor sinal, mas menos aparelhos compatíveis

A chegada da Rádio Nacional em FM nessas cidades representa uma mudança importante para as emissoras que chegavam lá via transmissões AM. É que, nas grandes cidades, o sinal de AM sofre com interferências que prejudicam a recepção.

Na FM, além de uma transmissão mais limpa e estéreo, as emissoras também podem reduzir custos de operação.

“Então foi muito importante para a Nacional fazer a transição do rádio que ela frequentou, viveu durante muitos anos, que era esse rádio AM, ondas curtas. Ela operava em FM só em Brasília, e ela passou a ser uma rede de FM, mas que também mantém a sua AM de alta potência e também mantém as ondas curtas para a Amazônia”.

Mas é crucial garantir que o ouvinte também consiga receber esses novos sinais. Isso porque a maioria dos aparelhos de rádio do país ainda não consegue captar frequências da faixa estendida do FM.

Na tentativa de possibilitar esse acesso, em 2017, o governo federal assina a Portaria Interministerial nº 68, que mudou as regras de fabricação de rádios na Zona Franca de Manaus.

“E quais são os desafios? Eram na parte da recepção, porque os receptores que vinham nos equipamentos, nos dispositivos, contemplavam apenas a faixa até então utilizada, que era de 88 a 108. Pensando nisso, o governo lançou uma portaria interministerial que incentivava os fabricantes de receptores de rádio a contemplar essa nova faixa. Então os novos equipamentos já estão vindo com essa faixa estendida”.

Para ampliar essa regulamentação, o Projeto de Lei nº 2096/2024 propõe alterar o Código Brasileiro de Telecomunicações para obrigar que todos os aparelhos de rádio com FM no Brasil sejam capazes de receber também a faixa estendida. O projeto ainda tramita nas comissões antes de uma possível votação em plenário.

 

Créditos:

Este episódio usou áudios do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Apresentação e produção de Guilherme Strozi e Raquel Júnia. Colaboração: Cezar Faccioli. A pesquisa é da equipe do Acervo: Aline Brettas, Maria Carnevale, Mariana Nazareth e Thiago Guimarães.  A montagem, sonoplastia e mixagem é de Jailton Sodré. Os trabalhos técnicos são de Jaime Batista, Lucas Alexandre, Lucia Safatle, Márcio Freitas, Marcos Inácio, Rafael Espíndola, Rafael Napoleão e Rafael Thomaz. Coordenação de Produção e Programação: Cynthia Cruz. Gerência da Radio Nacional: Bianca Fingher. Gerência-executiva de Rádios: Carlos Senna. Concepção da série: Thiago Regotto.