EBC lança Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça no Rio

Publicado em 28/07/2014 - 21:54 Por Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Atualizado em 29/07/2014 - 12:32

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançou hoje (28), no Rio de Janeiro, o programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. A diretora de Programas da Secretaria de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Mônica Oliveira, participou do lançamento. Na ocasião, ela disse que o problema não é que sejamos diferentes, o problema é quando as diferenças se convertem em desigualdades. “É contra isso que estamos batalhando. Não é para todos sermos iguais, com coisas completamente homogenizadas. Não é isso. É que as diferenças sejam entendidas como valores”, explicou.

Na avaliação da ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, e representante da Fundação Ford no Brasil, Nilcéa Freire, é impossível pensar em desigualdade de gênero, sem pensar em desigualdade racial. Ela lembrou que no início do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, que já atingiu a quinta edição, somente as empresas públicas participaram, mas hoje companhias privadas também aderiram e desenvolvem ações entre os seus empregados. A ex-ministra disse que o próximo passo é aprovar, no Congresso, um projeto de lei, ora em discussão pelos parlamentares, para garantir os mesmos espaços para homens e mulheres nas empresas do país.

“Uma das questões era a criação das comissões de gênero e raça das empresas. Elas não teriam um papel meramente aconselhador, mas de fiscalização se os princípios que definem a igualdade entre homens e mulheres no âmbito do trabalho estavam efetivamente executados e atingidos”, explicou.

A proposta prevê ainda que ao ser transformado em lei, as empresas que não cumprirem as premissas podem ser excluídas do cadastro de compras públicas. “O que é um enorme prejuízo para as empresas. E a gente sabe que o povo se mexe quando dói no bolso”, disse, acrescentando que acredita na aprovação do projeto de lei no ano que vem.

Para Mônica Oliveira, a questão de gênero e as ações pró-mulheres estão melhor absorvidas do que a questão racial e, portanto, é preciso ter uma atenção diferenciada. A diretora destacou que a EBC dará um passo importante neste sentido quando começar a exibir a novela Windeck - O Preço da Ambição, gravada em Angola e Portugal, dentro de um acordo entre a EBC e a Seppir. Ela lembrou que a produção, com cerca de 90% dos profissionais negros, concorreu em 2013 com novelas brasileiras ao Prêmio Emmy Internacional de Melhor Telenovela. De acordo com a superintendente Regional Sudeste da EBC, Joice Pacheco, a novela vai entrar no ar até o final do ano.

A diretora de Jornalismo da EBC, Nereide Beirão, disse que a empresa atualmente já tem preocupação com a discussão do tema de discriminação e preconceito em todas as áreas, mas é importante que todos os profissionais entendam que isso é uma política da empresa. “Essa determinação já existe no Manual de Jornalismo. A gente sente tanto na Agência Brasil e na TV Brasil, como nas rádios. Mas o fato de a EBC ter aderido ao programa reforça isso para todos os funcionários. Na pauta, no dia a dia do trabalho, no respeito na relação de trabalho e na vivência. Acho que é fundamental”, analisou.

A coordenadora-geral de Autonomia Econômica das Mulheres, da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), Simone Schäffer, disse que na primeira edição, existiam 15 empresas participantes, todas públicas. Nesta versão do programa, são 83, entre públicas e privadas. Ela destacou que algumas das integrantes, desde o começo da iniciativa, resolveram continuar participando e se aprimorando. Entre os resultados positivos, ela deu como exemplo o aumento da participação das mulheres em cargos de direção, o crescimento de campanhas de enfrentamento da violência, a licença-maternidade ampliada e adaptações necessárias para a convivência dos empregados. “Nós temos empresas que antes, quase que exclusivamente, eram de homens, e fizeram adaptação no vestuário e equipamentos de proteção. Nos seus ambientes, onde antes não tinha vestuário feminino, hoje têm banheiros masculinos e femininos. Houve discussão e tudo teve que ser implementado. Nas empresas que participam já existe uma mudança nesta cultura”, comentou.

Simone Schäffer revelou que até agora, a EBC é a única empresa de comunicação a aderir ao programa. Por isso, é uma satisfação grande para a secretaria, porque a mídia tem papel importante na formação da opinião. Segundo Norma Lambertucci, coordenadora do Comitê Nacional do Programa na EBC, a adesão foi em março e a empresa terá 24 meses para executar o plano de ação. Já foram eleitos os cinco comitês regionais (Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Maranhão e Tabatinga) e levantadas as metas de trabalho. Em setembro, haverá uma auditoria da Secretaria de Políticas para as Mulheres, e se 70% das metas do plano de ação forem cumpridas no ano que vem, a empresa ganhará um selo de certificação. “Ao assinar a adesão ao programa, nos comprometemos a fazer as ações, então temos que seguir. É um trabalho coletivo”, explicou.

A coordenadora do Comitê do Rio, Priscila do Espírito Santo, disse que a implementação do programa é um grande desafio para a empresa e estão presentes nas discussões representantes de diversos setores. "A gente está aberto a participações", contou.

A representante da Comissão dos Empregados da EBC no Rio de Janeiro, Carolina Barreto, lembrou que a adesão da empresa ao programa era uma reivindicação antiga dos empregados. "O programa já está mudando a gestão na empresa, que foi a ampliação da licença-parternidade de cinco para sete dias", destacou, completando que na própria comissão a presença de mulheres aumentou de uma para sete.

Edição: Stênio Ribeiro

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