Protesto do MST interdita parte da Rodovia Washington Luiz no Rio

Publicado em 11/03/2015 - 15:42 Por Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez manifestação hoje (11), em vários pontos do estado do Rio de Janeiro. O objetivo foi denunciar a demora na desapropriação de terras pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria (Incra) para assentar cerca de 700 famílias acampadas em todo o estado.

O protesto teve a participação de cerca de 500 famílias que interditaram algumas das principais rodovias do Rio de Janeiro. Entre as vias afetadas estava um trecho da BR-356, que liga Campos dos Goytacazes a São João da Barra, no norte fluminense. O trecho ficou interditado durante 3h, na altura de Martins Lage.

Os manifestantes bloquearam parte da Rodovia Washington Luiz, na altura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde entregaram produtos agrícolas para os motoristas que estavam na estrada. Em seguida, foram para a Prefeitura de Macaé, norte do estado, onde apresentaram pauta de reivindicação.

Segundo a assessoria de imprensa do MST, a ação integra o movimento nacional da Jornada Mundial de Lutas das Mulheres Camponesas, que vai contra o modelo de agronegócio do país. O movimento é uma iniciativa do MST, junto com outras organizações e movimentos sociais, para denunciar ausência de infraestrutura nos assentamentos no Rio de Janeiro e o descaso com as famílias acampadas.

Ao justificar a ação, Elisângela Carvalho, dirigente Nacional do MST, disse que os movimentos sociais do campo e da cidade estão em luta para exigir a reforma agrária. “A agricultura camponesa garante 70% da produção de alimentos que estão na mesa dos brasileiros”, disse ela.

De acordo com ea, no Rio, o MST reivindica a desapropriação de algumas áreas nas quais estão acampadas cerca de 700 famílias. "Muitas terras foram declaradas improdutivas, e algumas famílias aguardam acampadas há dez anos, como é o caso do acampamento Madre Cristina, em Campos”, justificou Elisângela.

Na avaliação da líder do MST, outro caso emblemático é o do complexo da Usina Cambahyba, em Campos, onde existe o acampamento Luís Maranhão. “É uma luta legitima querer os trabalhadores assentados. Existem hoje cerca de 120 mil famílias acampadas em todo o país. É preciso fazer manifestações e denunciar para que a sociedade tome conhecimento dos problemas existentes.”

Elisângela classificou de perverso o modelo de produção de alimentos, com alto teor de agrotóxico, voltados para a exportação. “É preciso denunciar que o modelo do agronegócio de hoje, que produz alimentos com agrotóxicos, produz veneno. Alguns dos principais alimentos hoje na mesa do trabalhador brasileiro são importados, porque nosso modelo é galgado na monocultura do eucalipto, da soja, do milho – todos voltados para a exportação.”

Para o MST, embora existam atualmente diversos assentamentos espalhados pelo país, a maior parte não tem infraestrutura básica – faltam políticas públicas de habitação, estrada, transporte, iluminação, comunicação, lazer, educação e saúde, somada à deficiência dos serviços de crédito e assistência técnica.

De acordo com a líder do MST, o movimento quer que o governo federal desaproprie as áreas para assentar todas as famílias acampadas e que o Incra faça contratação imediata de assistência técnica para os assentamentos.

Elisângela disse que as manifestações tiveram a participação de representantes da Comissão Pastoral da Terra; do Movimento dos Pequenos Agricultores; da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil ; Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal; do Levante Popular; de dois partidos (PSOL e PCB); do Sindipreto/Norte Fluminense; e dos departamentos docentes das universidades Federal Fluminense e da Estadual do Norte Fluminense.

Edição: Valéria Aguiar

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