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Engenheiros e arquitetos do Rio ameaçam parar obras das Olimpíadas

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 29/04/2015 - 17:18
Rio de Janeiro

A 500 dias das Olimpíadas de 2016, moradores da Vila Autódromo, em Jacarepaguá, reclamam de perda de qualidade de vida e incertezas sobre o futuro com as obras para os Jogos (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Obras das Olimpíadas podem parar por falta de fiscalização de engenheiros e arquitetos      Fernando Frazão/ABr

O andamento das obras para as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro pode estar em risco. Engenheiros e arquitetos do município, responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização de empreendimentos como o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, que será o coração da competição, cobram da prefeitura reajustes nos salários que, segundo as duas categorias, estão congelados há sete anos.

Hoje (29), os profissionais fizeram um protesto, iniciado no Clube de Engenharia, no centro da cidade.

De acordo com o presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro, Joelson Zuchen, os salários estão defasados em até 70% em relação ao mercado. Ele disse que um engenheiro da prefeitura, em início de carreira, recebe R$ 3,8 mil. Na mesma situação, os da iniciativa privada recebem R$ 8 mil.

“Fiscalizamos colegas engenheiros que chegam a ganhar de três a quatro vezes mais", reclamou Zuchen. “A categoria não aguenta mais.” Sem a atualização salarial, a prefeitura pode perder profissionais que zelam por obras pagas com dinheiro público, alertou. 

“Com a paralisação, se não houver contraproposta do município, as obras podem parar por falta de fiscalização e de atestado para as faturas”, explicou o representante dos engenheiros e arquitetos.

A categoria propõe uma reunião com o prefeito da cidade, Eduardo Paes. Os profissionais lembraram que, em outubro do ano passado, após três dias de paralisação, o prefeito prometera negociar com engenheiros e arquitetos, o que não ocorreu.

“Estamos sobrecarregados por causa das obras. Reconhecemos que o município vive uma revolução, mas essa atitude [de cobrar reajuste e sinalizar para uma paralisação] não é oportunista. Estamos há sete anos sem reajuste”, acrescentou o presidente do sindicato.

Procurada, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro não respondeu até a publicação da matéria.