Médicos protestam por reajuste nos honorários pagos pelos planos de saúde no Rio

Publicado em 08/07/2015 - 16:03 Por Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Atualizado em 09/07/2015 - 14:01

Um grupo de médicos ligados ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) protestou hoje (8) em defesa do reajuste anual dos honorários da categoria. A manifestação foi em frente à sede da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), no centro do Rio. O ajuste estava previsto na Lei 13.003/2014 e deveria ter sido acordado entre os profissionais, seguradoras e operadoras de saúde até o dia 31 de março deste ano.

Segundo a coordenadora da Comissão de Saúde Suplementar, Márcia Rosa de Araújo, algumas operadoras não apresentaram até hoje nenhuma proposta, entre elas, Amil Participações S.A , Dix Saúde, Plano de Saúde Medial, Bradesco Saúde, Caixa Assistencial Universitária do Rio de Janeiro e Porto Seguro Saude. Outras limitaram-se a oferecer reajustes de 0,01% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial do país).

Segundo o Cremerj, atualmente, o valor que os planos pagam aos médicos por consulta varia de R$ 40 a R$ 77. A reivindicação é que o valor chegue a R$ 80 por consulta.

"Como é o primeiro ano da lei, flexibilizamos, fizemos reuniões para sensibilizar as operadoras, pedimos a minuta dos contratos para avaliar e, para nossa surpresa, a maioria tinha cláusulas como a do reajuste de 0,01% do IPCA [por ano]”, disse Márcia Rosa, acrescentando que não chega nem a ser um índice, é um percentual que foge ao espírito da lei.

Outra reivindicação da categoria  é para que as operadoras com planos de saúde diferenciados paguem o mesmo valor por procedimento aos médicos. Márcia Rosa explicou que, com a divisão em categorias como alfa, beta e gama, os planos tentam criar uma subcategoria de paciente.

“Por questões éticas, não podemos atender pacientes de maneira diferenciada  porque é da categoria A, B ou C; mas os planos pagam, pelo mesmos atendimentos, valores maiores ou menores, de acordo com o plano, uma tentativa de criar pacientes inferiores”, explicou.

Procurada para esclarecer as negociações, a FenaSaúde disse que já paga “os mais altos valores de remuneração dos médicos entre as diferentes operadoras do mercado” e, nos últimos cinco anos, os reajustes foram de 50%, acima da inflação no período, que ficou em 31%, segundo a entidade.

A FenaSaúde também informa que os honorários pagos por consultas e procedimentos no Brasil, segundo levantamento da Federação Internacional de Planos de Saúde, são os mais altos que os pagos aos médicos de países como a França, a Espanha e a Canadá.

*Matéria alterada às 14h01 do dia 09/07/2015 para esclarecer informação no penúltimo e no último parágrafos

Edição: Valéria Aguiar

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