Sem-teto protestam em São Paulo para cobrar compromissos da prefeitura

Publicado em 16/09/2015 - 17:13 Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fazem, na tarde hoje (16), um protesto em frente à Secretaria Municipal de Habitação, na capital paulista. De acordo com o movimento, a manifestação é para pressionar a prefeitura a cumprir compromissos assumidos com ocupações que reivindicam moradia digna na cidade. Uma comissão foi recebida há pouco por representantes do órgão.

O movimento estima que 2 mil pessoas participem do ato, iniciado às 14h, na Praça da Sé. Por volta das 16h, o grupo saiu em caminhada pela ruas do centro da capital para a sede da secretaria, na Rua Líbero Badaró. A via está bloqueada. A Polícia Militar ainda não estimou o público participante.

Segundo Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST, entre os itens negociados com a prefeitura está o lançamento de um edital que permitiria o repasse de terrenos públicos para o Minha Casa, Minha Vida Entidades, além de recursos adicionais para assessoria técnica que viabilizariam os projetos de habitação para as famílias.

“Eles disseram que vão fazer, mas não cumpriram prazos. Estão empurrando com a barriga. Por isso, o movimento vai pra rua”, afirmou Boulos.

Seis ocupações organizadas pelo MTST participam do protesto de hoje, que reúne mais de 10 mil famílias sem teto, conforme estimativa do movimento. Uma delas é a Vila Nova Palestina, terreno na zona sul da capital paulista, para a qual é cobrado um estudo para construção de equipamentos públicos, que servirão para aprovação do projeto de moradia na região.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria Municipal de Habitação não se manifestou sobre as reivindicações até a publicação da matéria.

A cozinheira Maria Helena Benitez, 66 anos, é da ocupação Dandara, no Bairro Vila Nova Vitória. Ela contou que decidiu participar do movimento porque o aluguel consome boa parte do salário de R$ 1.090. “Lá onde moro é terreno de invasão e já fomos ameaçados de despejo. Pago R$ 450. Moramos eu e meu neto de 16 anos.” É a primeira vez que ela participa de uma mobilização de rua. “Se com essa idade a gente ainda não tem o que precisa, o jeito é vir para rua.”

Diarista, Severina da Silva, 43 anos, luta por uma moradia para a filha. “Ela é mãe solteira. Consegui comprar um terreno e fazer minha casa, mas ela precisa.” Severina informou que, antes de comprar sua casa, pagava aluguel de R$ 800 mensais. “Hoje, pago R$ 500 por mês no terreno, onde fiz dois cômodos.”

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Edição: Armando Cardoso

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