“Vivemos em Fortaleza com sujeitos matáveis”, diz pesquisador

Publicado em 22/11/2016 - 23:18 Por Edwirges Nogueira - Correspondente da Agência Brasil - Fortaleza

A violência que atinge preferencialmente jovens, negros e pobres em Fortaleza indica que há um grupo da sociedade cujas vidas são menos importantes. A conclusão é do professor Luiz Fábio Silva Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Hoje, na cidade de Fortaleza, nós vivemos com sujeitos 'matáveis'. Existem vidas hoje que não são dignas de ser vividas. Longe de ser uma ideia abstrata, que fundamenta o preconceito ou uma forma de discriminação social, essa ideia é estruturante de uma política de estado.”

Paiva foi um dos participantes da mesa-redonda Chacinas em Fortaleza: Violência e Segregação Social, promovida hoje (22) pelo Programa de Pós-Graduação e Sociologia da Universidade Estadual do Ceará. O evento teve como tema central a Chacina de Messejana, que fez um ano neste mês.

Durante a chacina, em uma só noite, morreram 11 pessoas, a maioria jovens. Todas foram mortas a tiros. Em setembro, o Ministério Público Estadual denunciou 45 policiais militares. A Justiça aceitou 44. Os denunciados estão presos preventivamente. Em outubro, começaram as audiências do processo.

Mãe de uma das vítimas, Edna Cavalcante participou da mesa-redonda. Muito emocionada, ela relembrou o convívio com o filho Alef, que tinha 17 anos quando foi morto, e disse que hoje se mobiliza com as famílias das outras vítimas para evidenciar a vulnerabilidade dos jovens das periferias. “Calaram a boca do meu filho. Isso é uma dor muito grande para uma mãe. Se eu estou aqui falando, é porque não vou me calar, pois outros jovens podem ser vítimas. Precisamos barrar essa polícia que mata e lutar por uma polícia melhor.”

Os nomes de Alef Cavalcante e de Jardel dos Santos, que também tinha 17 anos e foi morto na noite da chacina, hoje dão nome a duas ruas de Fortaleza.

Edição: Fábio Massalli

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