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Internacional

Ucrânia: partido de Ianukóvitch responsabiliza líder pela crise e distúrbios

Da Agência Lusa
Publicado em 23/02/2014 - 16:27
Kiev

O grupo parlamentar do Partido das Regiões, ligado ao presidente ucraniano deposto Viktor Ianukóvitch, responsabilizou hoje (23) o líder pela crise e pelos distúrbios que deixaram 82 mortos em Kiev.

"A Ucrânia foi traída. Provocaram o confronto entre as pessoas. E toda a responsabilidade recai sobre Ianukóvitch e a sua envolvente mais próxima", diz uma declaração dos grupo parlamentar, principal base de apoio do chefe de Estado destituído

Os deputados do Partido das Regiões (PR) condenaram as "ordens criminais que afetaram simples cidadãos, soldados e oficiais".

"Condenamos a fuga e a cobardia de Ianukóvitch. Condenamos a traição", citou o documento, destacando que "a Ucrânia foi enganada e saqueada, mas isto não é nada comparada à dor de dezenas de famílias que perderam os seus entes queridos em ambos os lados das barricadas".

O PR, acrescentaram os deputados, tem mais de 1 milhão de militantes e representa os interesses de mais de 10 milhões de eleitores.

"Estamos no Parlamento para servir a Ucrânia e o seu povo", escreveram os deputados, enfatizando que as diferenças ideológicas "não são um impedimento para trabalhar conjuntamente pelo bem do país, já que pode haver diferenças de opinião, mas o objetivo é um: uma Ucrânia unida, forte e independente".

Os deputados do PR acrescentaram ainda que "as tentativas de intimidação total e de desestabilização das regiões são inaceitáveis em uma sociedade democrática".

O Parlamento ucraniano designou hoje como presidente interino Oleksander Turchynov, braço direito da líder da oposição Iulia Timochenko, e que é presidente do Parlamento.

A nomeação de Turchynov, aprovada por 285 dos 339 deputados, ocorre depois da destituição de Viktor Ianukóvitch pelo Parlamento, ontem (22).

A crise política na Ucrânia iniciou-se há três meses, depois de Ianukóvitch suspendeu os preparativos para um acordo com a União Europeia, e agravou-se no final de janeiro, quando foram registradas as primeiras mortes, com a aprovação de leis limitando a liberdade de manifestação.

O balanço oficial da violência dos últimos dias é de pelo menos 80 mortos, embora a oposição aponte mais de 100 mortes.