Kirchner interrompe cúpula para anunciar reaproximação de Cuba e EUA

Publicado em 17/12/2014 - 15:38 Por Monica Yanakiew – Correspondente da Agência Brasil/EBC - Paraná, Argentina
Atualizado em 17/12/2014 - 18:12

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, interrompeu hoje (17) os discursos dos chefes de Estado na 47ª Reunião de Cúpula do Mercosul, para anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba, após mais de 50 anos.

Ela disse que a região estava vivendo um “momento histórico” e parabenizou o governo cubano, por ter “defendido seus ideais” e “mantido a dignidade”, apesar do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de meio século. Cristina Kirchner, anfitriã da cúpula do bloco, fez o anúncio logo depois do discurso de Dilma Rousseff.

Ao discursar, a presidenta brasileira fez uma homenagem ao presidente uruguaio, José Pepe Mujica, que entregará o cargo a seu sucessor, Tabaré Vasquez, no dia 1° de marco. Com lágrimas nos olhos, Dilma Rousseff disse que foi “um privilégio” tê-lo conhecido e manifestou seu “enorme agradecimento” por ter contado com a colaboração dele enquanto estava à frente do governo uruguaio.

“Seu legado foi sempre uma inspiração para todos nós”, disse a presidenta, fazendo com que todos os chefes de governo presentes se levantassem para aplaudir Mujica.

“Não nasci presidente, mas sou um trabalhador social”, respondeu o presidente do Uruguai. Em seu discurso, Mujica defendeu não apenas o fortalecimento da integração regional, como também a relação do Mercosul com a China.

Depois de assumir a presidência pro tempore do Mercosul, Dilma Rousseff disse que achou fantástica a possibilidade de retomada das relações entre Estados Unidos e Cuba. "A reaproximação é um marco nas relações aqui na nossa região, mas, sobretudo, no mundo, porque acredito que a possibilidade de relacionamento, o fim do bloqueio, o fato de que Cuba tem hoje condições plenas de conviver na comunidade internacional, é algo extremamente relevante para o povo cubano e, acredito, para toda a América Latina", afirmou Dilma.

Ela enviou um cumprimento especial aos presidentes de Cuba e dos Estados Unidos pelas "confluências de interesses", e saudou o papa Francisco, que "parece ter sido, por trás de tudo, o grande fator de aproximação". Dilma se disse ainda "muito feliz", porque toda a política do governo brasileiro tem sido no sentido de enfatizar, "não só do ponto de vista retórico, mas com ações concretas, a forma pela qual Cuba tem que ser integrada".

Ela lembrou que o criticado financiamento brasileiro ao Porto de Mariel, na campanha eleitoral, "mostra hoje a sua importância para toda a região e para o Brasil, na medida em o porto é estratégico, pela sua proximidade com os Estados Unidos".

A presidenta brasileira disse que está confiante nos destinos do Mercosul e repetiu declaração do presidente uruguaio, ao afirmar: "ou estamos juntos ou estamos vencidos". "Estamos juntos  e vamos reforçar nossas relações aduaneiras, reformar nossas relações em infraestrutura e ampliar o desenvolvimento com integração produtiva; sobretudo de crescimento com distribuição e justiça social para nosso povo."

Ao saudar novamente a reaproximação entre os Estados Unidos e Cuba, Dilma desejou que o fato sirva de exemplo para o resto do mundo: "vivemos em um hemisfério especial e nós, da América do Sul, estamos em paz há 120 anos. Resolvemos nossos conflitos por meio do diálogo."

*Matéria alterada às 18h12 para acréscimo de informações

Edição: Denise Griesinger

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