Governo francês promete resistir à forte greve no sistema ferroviário

Publicado em 03/04/2018 - 13:39 Por Da Agência EFE - Paris

Vista das plataformas vazias na gare de Lyon, durante a greve nacional da SNCF

Vista das plataformas vazias na gare de Lyon, durante a greve nacional da SNCF REUTERS/Emmanuel Foudrot

O governo da França manifestou nesta terça-feira (3) disposição para negociar, mas garantiu que resistirá à greve que começou hoje no sistema ferroviário do país com adesão "maciça" dos trabalhadores, segundo os sindicatos, que anunciaram um protesto "duro" contra a posição do Executivo de Emmanuel Macron. A informação é da EFE.

A ministra dos Transportes da França, Elisabeth Borne, denunciou, mas sem citar nomes, que "alguns querem politizar o debate", com afirmações falsas como a de que a reforma da Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro Franceses (SNCF), a empresa estatal de ferrovias, levará à sua privatização.

"A SNCF é uma empresa pública e seguirá sendo uma empresa pública", ressaltou em entrevista ao canal de televisão BFMTV a ministra Elisabeth, que reconheceu que o trânsito de trens estava bastante comprometido neste primeiro dos 36 dias de greve, que serão dispostos de forma espaçada de hoje até o fim de junho.

Ela afirmou que faz um mês que abriu uma negociação com os sindicatos, que deve se prolongar por mais um, e que na semana passada fez concessões ao atrasar a abertura à concorrência nas linhas regionais e locais, ao mesmo tempo em que se queixou que "os sindicatos não têm se mexido".

Dívida ameaçadora

A responsável de Transportes lembrou que sua intenção é aumentar em 50% os investimentos na renovação da infraestrutura ferroviária, mas também que a reforma é necessária porque a dívida da SNCF, de quase 50 bilhões de euros, "ameaça o sistema ferroviário".

A ministra reiterou que essa dívida aumenta a cada ano em 3 bilhões de euros e que a empresa tem que pagar 1,5 bilhão de euros para financiá-la a cada ano.

A respeito do ponto que suscita mais protestos por parte dos funcionários da SNCF, a supressão para os futuros contratados do estatuto laboral da companhia, que contém vantagens sobre o regime geral dos trabalhadores na França, Borne o justificou por "uma questão de igualdade" e de competitividade.

Sobre essa última questão, a ministra afirmou que as empresas que no futuro concorram com a SNCF não terão que aplicar esse estatuto a seus assalariados e isso lhes daria uma vantagem. O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT, a principal central sindical da SNCF), Philippe Martínez, afirmou por sua vez que os grevistas não estão parados "por gosto", mas porque o Executivo "não quer ouvi-los".

Ao ser perguntado em uma entrevista à emissora France Inter sobre se sua vontade é organizar uma greve dura, Martínez respondeu que os trabalhadores foram "obrigados a chegar a esse ponto por culpa do governo".

Após destacar que a mobilização de hoje é "maçiça", Martínez reivindicou uma revisão da reforma apresentada em 26 de fevereiro pela ministra Elisabeth Borne e pelo primeiro-ministro, Édouard Philippe, que anunciaram a vontade de aprová-la por decreto.

O líder da CGT duvidou das intenções do Executivo ao transformar a SNCF em uma sociedade de ações: "Que garantia temos de que não haverá privatização?", questionou.

Segundo os dados da própria direção da companhia, 48% de seus funcionários se declararam em greve hoje, um percentual que chega a 77% dos condutores, o que obrigou a empresa a anular sete de cada oito viagens nos trens de alta velocidade (TGV) e quatro de cada cinco viagens regionais e de proximidades.

 

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