EUA acusam Irã de não declarar todo seu arsenal químico à Opaq

Publicado em 23/11/2018 - 12:23 Por Da Agência EFE - Haia/Teerã

Os Estados Unidos acusaram o Irã de ter violado a Convenção sobre Armas Químicas ao não "ter declarado de forma oficial a totalidade de seu arsenal" à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), confirmou nesta sexta-feira (23) à Agência Efe uma fonte diplomática.

Durante a conferência que a organização realiza em Haia desde a segunda-feira e até o próximo dia 30, o embaixador americano Kenneth Warda garantiu que seu país está "preocupado há bastante tempo" com o fato de o "Irã manter um programa de armas químicas que não foi declarado" à organização internacional.

Segundo Kenneth Warda, Teerã mantém em funcionamento instalações para a fabricação de armamento tóxico "que atua sobre o sistema nervoso" e para a produção de bombas de lançamento aéreo.

Em seu discurso diante das delegações dos Estados-membros da Opaq - todos os países, exceto Coreia do Norte, Egito, Sudão do Sul e Angola - o diplomata americano garantiu que o Irã também não declarou "as caixas de produtos químicos enviados à Líbia nos anos 1980", e detalhou que estas "só foram descobertas" depois da morte do ditador Muammar Kadafi em 2011.

Além disso, Warda acusou o Irã e a Rússia - ambos aliados da Síria - de "permitir que o presidente sírio, Bashar al Assad, use armas químicas" contra civis desde que explodiu a guerra no país árabe em 2011.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã em Teerã rejeitou categoricamente as acusações dos EUA, afirmando que as mesmas são "infundadas e falsas".

O porta-voz do ministério iraniano, Bahram Qasemi, assinalou que "a missão iraniana dará uma resposta adequada" aos EUA ao término dos debates da atual conferência da Opaq em Haia.

"Os EUA são o único Estado-membro da Opaq que possui arsenais de armas químicas e até hoje não cumpriu com seu compromisso de destrui-los", denunciou Qasemi em comunicado.

Para o porta-voz do ministério iraniano, as acusações contra a República Islâmica têm como objetivo "desviar a atenção da opinião pública internacional para o apoio contínuo dos EUA aos arsenais químicos israelenses e de grupos terroristas".

Além disso, Qasemi acrescentou que os EUA querem desviar o foco de suas "violações" de compromissos internacionais, em alusão à saída unilateral dos americanos do acordo nuclear de 2015.

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