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Internacional

Otan se compromete a aumentar gastos e reafirma defesa coletiva

Espanha e EUA divergem sobre percentual para defesa do bloco
Andrew Gray e Sabine Siebold, Jeff Mason – repórteres da Reuters
Publicado em 26/06/2025 - 10:45
Haia
Turkey's President Tayyip Erdogan, U.S. President Donald Trump, Dutch King Willem-Alexander and Dutch Queen Maxima, France's President Emmanuel Macron,  Italian Prime Minister Giorgia Meloni, Canadian Prime Minister Mark Carney, Ukraine's President Volodymyr Zelenskiy, Britain's Prime Minister Keir Starmer, Greek Prime Minister Kyriakos Mitsotakis,  Danish Prime Minister Mette Frederiksen, Sweden's Prime Minister Ulf Kristersson, German Chancellor Friedrich Merz, Slovakia's President Peter Pellegrini, Spanish Prime Minister Pedro Sanchez, Poland's outgoing President Andrzej Duda, European Commission President Ursula von der Leyen and European Council President Antonio Costa, NATO Secretary General Mark Rutte and NATO heads of state and governments pose for a picture ahead of a dinner hosted by Dutch King Willem-Alexander and Dutch Queen Maxima, on the sidelines of a NATO Summit, at Huis ten Bosch Palace in The Hague, Netherlands June 24, 2025. REUTERS/Christian Hartmann/Pool
© Reuters/Christian Hartmann/proibida reprodução
Reuters

Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) apoiaram nesta quarta-feira (26) um aumento significativo nos gastos com defesa e reafirmaram seu compromisso de se defenderem mutuamente de ataques, após uma breve cúpula em Haia, na Holanda.

Em uma breve declaração, a Otan endossou uma meta de gastos com defesa mais alta, de 5% do PIB dos estados-membros, até 2035. 

O aumento é uma resposta a uma exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aos temores dos europeus de que a Rússia possa representar uma ameaça crescente à segurança da Europa, após a invasão da Ucrânia em 2022.

"Reafirmamos nosso compromisso férreo com a defesa coletiva, conforme consagrado no Artigo 5 do Tratado de Washington: que um ataque a um dos membros é um ataque a todos", diz o comunicado, depois que Trump gerou preocupação na terça-feira (25) ao dizer este Artigo 5 tinha "inúmeras definições".

Porém, pouco antes da abertura da cúpula, Trump disse sobre os outros membros da Otan: "Estamos com eles até o fim".

Gastos em defesa

A aliança composta por 32 nações, por sua vez, atendeu a um apelo de Trump para que outros países aumentem seus gastos com defesa para reduzir a dependência da Otan em relação aos EUA.

O secretário-geral da organização, Mark Rutte, reconheceu não ser fácil para os países europeus e o Canadá encontrarem o dinheiro extra, mas disse que é vital fazer isso.

"Meus colegas na mesa de negociações estão absolutamente convencidos de que, dada a ameaça dos russos e a situação da segurança internacional, não há alternativa", declarou o ex-primeiro-ministro holandês aos repórteres em sua cidade natal, Haia.

A nova meta de gastos – a ser alcançada nos próximos 10 anos – representa um salto de centenas de bilhões de dólares por ano em relação à atual meta de 2% do PIB, embora seja medida de forma diferente.

Os países gastariam 3,5% do PIB em defesa básica – como tropas e armas – e 1,5% em medidas mais amplas relacionadas à defesa, como segurança cibernética, proteção de gasodutos e adaptação de estradas e pontes para suportar veículos militares pesados.

Espanha

Todos os membros da Otan apoiaram uma declaração que consagra a meta de 5%, embora a Espanha tenha declarado que não precisa atingir essa meta e que pode cumprir seus compromissos gastando muito menos.

Insatisfeito com o posicionamento do governo espanhol, Trump afirmou após a cúpula que faria a Espanha pagar "o dobro" por um acordo comercial.

Nesta quinta-feira (26), no Conselho da Europa, em Bruxelas, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu às ameaças presidente norte-americano lembrando que a Espanha é um "país soberano" e que a política comercial deverá ser acordada com Bruxelas.

"A Espanha é um país solidário, comprometido com os Estados-membros da Otan, mas também soberano, e esse é o equilíbrio que encontramos na declaração acordada com os 32 Estados-Membros da Aliança Atlântica, e também os EUA".

*Com informações da RTP