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Internacional

Gaza: plano de paz dos EUA prevê fim da guerra e retorno dos reféns

Trump e Netanyahu se reuniram nesta segunda, em Washington
Trevor Hunnicutt e Steve Holland* – repórteres da Reuters
Publicado em 29/09/2025 - 16:33
Washington
Trump e Netanyahu participam de coletiva de imprensa na Casa Branca
29/09/2025
REUTERS/Kevin Lamarque
© REUTERS/Kevin Lamarque/Proibida reprodução
Reuters

Um plano de paz para Gaza, divulgado pela Casa Branca nesta segunda-feira (29), propõe o fim do conflito entre Israel e os militantes do Hamas e a devolução de todos os reféns, vivos e mortos, dentro de 72 horas após Israel aceitar publicamente o acordo.

O plano de 20 pontos exige um cessar-fogo; a troca de todos os reféns – vivos e mortos – mantidos pelo Hamas por prisioneiros palestinos mantidos por Israel; a retirada israelense do enclave palestino; o desarmamento do Hamas e um governo de transição liderado por um órgão internacional.

Segundo a proposta, quando todos os reféns forem libertados, Israel libertará 250 palestinos que cumprem penas de prisão perpétua e 1,7 mil habitantes de Gaza que foram detidos após o início da guerra em 7 de outubro de 2023.

Reunidos na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, falaram à imprensa sobre o cessar-fogo na região.

Trump disse que Israel e outros países estão "muito próximos" de chegar a um acordo para acabar com a guerra em Gaza.

Ao lado de Netanyahu, o presidente dos EUA disse que o acordo envolveria os países árabes e deveria ajudar a alcançar uma paz mais ampla no Oriente Médio.

"Pelo menos estamos no mínimo, muito, muito perto. E acho que estamos mais do que muito próximos", disse Trump aos repórteres. "E quero agradecer ao Bibi [Benjamin Netanyahu) por realmente se envolver e fazer um bom trabalho."

Trump disse ainda que está na hora de o Hamas aceitar a proposta de paz de 20 pontos que ele acordou com Netanyahu.

"Ainda não terminamos", disse Trump em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. "Temos que conquistar o Hamas, mas acho que eles farão isso. Portanto, agora é hora de o Hamas aceitar os termos do plano que apresentamos hoje."

O primeiro-ministro israelense disse que apoia a proposta de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Diplomacia

Esta é a quarta visita de Netanyahu à Casa Branca desde que Trump retornou ao cargo em janeiro. O líder israelense de direita tenta fortalecer o relacionamento mais importante de seu país com os EUA, depois que diversos líderes ocidentais abraçaram formalmente a solução em dois Estados para o conflito, com a criação de um Estado palestino.

Trump, que criticou duramente os movimentos de reconhecimento alegando ser um prêmio para o Hamas, busca a concordância de Netanyahu, apesar das dúvidas de Israel sobre partes do plano.

O encontro marcou um esforço diplomático intensificado do presidente dos EUA, que prometeu, durante a campanha presidencial de 2024, encerrar rapidamente o conflito e, desde então, tem afirmado repetidamente que um acordo de paz está próximo, mas não se concretiza.

A aparente ausência do Hamas nas negociações levantou dúvidas sobre as perspectivas da última iniciativa.

Washington apresentou seu plano de paz aos estados árabes e muçulmanos à margem da Assembleia Geral da ONU na semana passada, e o principal objetivo de Trump nesta segunda-feira foi tentar fechar as lacunas restantes com Netanyahu.

"Eu apoio seu plano para acabar com a guerra em Gaza, que garante nossos objetivos de guerra. Ele trará de volta a Israel todos os nossos reféns, desmantelará as capacidades militares do Hamas, acabará com seu governo político e garantirá que Gaza nunca mais represente uma ameaça a Israel."

*Reportagem adicional de Jasper Ward

Texto ampliado às 16h52.

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