Líder do Hamas diz que guerra em Gaza acabou
O líder do Hamas, Khalil Al-Hayya (esquerda na foto), afirmou que recebeu garantias dos Estados Unidos, dos mediadores árabes e da Turquia, de que a guerra em Gaza acabou.

"Hoje, anunciamos que o acordo foi alcançado para pôr fim à guerra e à agressão contra o nosso povo e iniciar a implementação de um cessar-fogo permanente e a retirada das forças de ocupação", disse Khalil Al Hayya, num discurso televisivo esta quinta-feira.
Al Hayya acrescentou que 250 palestinos condenados à prisão perpétua serão libertados como parte do acordo, além de 1.700 prisioneiros de Gaza que foram detidos após 7 de outubro.
O grupo confirmou o fim da guerra, marcando o início de um cessar-fogo permanente.
O acordo inclui ainda a abertura da passagem de Rafah em ambas as direções e prevê a libertação, por Israel, de todas as mulheres e crianças palestinas detidas.
Osama Hamdan, outro líder do grupo, afirmou que os palestinos não aceitam o desarmamento e que precisam de armas e de resistência.
Esta era uma das condições de Israel para o cessar-fogo.
Israel anunciou durante o dia que "todos os partidos" assinaram a primeira fase do acordo em Gaza.
A votação de Israel
Autoridades israelenses já garantiram que o acordo entrará em vigor assim que for aprovado pelo governo liderado por Benjamin Netanyahu. A decisão é aguardada para as próximas horas.
De acordo com uma cópia do documento, obtida pela norte-americana CNN, a resolução que as autoridades de Israel irão votar, inclui vários pontos.
Primeiro, no prazo de 24 horas após a aprovação do plano pelo governo, as forças militares israelenses irão se posicionar ao longo da Linha Amarela, a linha inicial proposta para a retirada israelense em Gaza.
No prazo de 72 horas após a retirada das tropas, 20 reféns israelenses vivos e 28 reféns falecidos — incluindo quatro reféns não israelenses falecidos — serão libertados do cativeiro em Gaza.
A resolução descreve que o calendário de libertação dos reféns será "determinado com uma consideração cuidadosa para evitar colocar as suas vidas em risco ou atrasar a sua libertação, dadas as circunstâncias e condições únicas dos reféns".
Se os corpos dos reféns mortos não forem todos libertados, será invocado um apêndice confidencial com "condições adicionais", estipula a resolução.
Por sua vez, Israel iniciará a libertação de prisioneiros e detidos palestinos sob custódia do Serviço Prisional de Israel ou das Forças de Defesa de Israel. Isto inclui 250 prisioneiros a cumprir penas perpétuas, que serão libertados mediante o acordo de expulsão para Gaza ou para o estrangeiro e de não regressarem a Israel.
Israel vai também libertar 1.700 residentes de Gaza e 22 menores, todos eles não envolvidos nos ataques de 7 de Outubro, mas detidos posteriormente.
Os corpos de 360 pessoas que Israel designou como "terroristas" também serão devolvidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, um dos principais arquitetos do cessar-fogo, já afirmou que os reféns ainda na posse do Hamas deverão ser libertados "segunda ou terça-feira".
Donald Trump deverá deslocar-se ao Egito e a Israel nos próximos dias. A previsão é que a visita ocorra no domingo.
* com agências
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