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Internacional

Congo e Uganda: número de mortes em surto de ebola ultrapassa mil

Vacinas e testes diagnósticos estão em fase de estudo no Reino Unido
Carlos Santos Neves – repórter da RTP
Publicado em 22/07/2026 - 12:49
Lisboa
Parentes e amigos de pessoas deslocadas choram ao lado do caixão de uma suposta vítima do Ebola antes do enterro no campo de deslocados de Kigonze, em Bunia, no leste da República Democrática do Congo 18 de junho de 2026 REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
© REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/ Proibido reprodução
RTP - Rádio e Televisão de Portugal

O surto de ebola que teve início em meados de maio já deixou 1.001 pessoas mortas na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (22). Nos últimos 50 anos, o vírus matou mais de 15 mil pessoas no continente africano.

Na República Democrática do Congo, onde o surto foi declarado em meados de maio, morreram já 999 pessoas, em um total de 2.473 casos confirmados.

No território ugandês, estão confirmadas duas mortes em 20 casos positivos para a infecção causada pelo vírus Bundibugyo, para a qual não há vacina ou tratamento.

As autoridades de Uganda declararam, na semana passada, não haver registro de novos casos ativos, mas informaram que só poderão decretar o fim do surto após um mês sem novos casos positivos.

Na RDC, de 2018 a 2020, o ebola fez cerca de 2,3 mil mortes e 3,5 mil casos. O atual surto é o 17º a ser declarado no país.

Vacina e teste

De acordo com a  Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o início de julho está em curso um ensaio clínico com dois tratamentos para esse tipo raro da doença, detectado nos dois países africanos.

A organização anunciou ainda um primeiro estudo, encabeçado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, sobre a segurança da vacina ChAdOx1, além de ter autorizado o primeiro teste de diagnóstico molecular do vírus.

Região afetada

O epicentro do surto é Ituri, no Nordeste do Congo, que faz fronteira com Sudão do Sul e Uganda. A província soma 89,1% das infecções e 83,9% dos casos fatais.

“A epidemia continua um passo à frente e ainda estamos em fase de tentar acompanhar a sua progressão”, reconheceu a partir de Genebra Thierno Baldé, responsável pela gestão de incidentes da OMS para a República Democrática do Congo.

“Algumas áreas, como Bunia (principal cidade da província de Ituri) e arredores, registram uma transmissão muito intensa”, observou.

O ebola foi igualmente detectado em mais quatro províncias, entre as quais Kivu do Norte e Kivu do Sul, cujas capitais e grande parte do território permanecem sob o controlo do grupo armado antigovernamental M23.

Entre as vítimas mortais do ebola, há registro de pelo menos 189 crianças – a organização Save the Children aponta para que cerca de 476 tenham contraído a doença desde maio.

A ONG tem oferecido apoio psicossocial a mais de 4 mil crianças em Ituri.

“As crianças em Ituri carregam um enorme fardo emocional. Muitas testemunharam violência, perderam entes queridos para o surto de ebola ou foram obrigadas a vários deslocamentos”, observou na terça-feira (21) Babou Rukengeza, coordenador da resposta ao ebola da Save the Children, na RDC.

“Espaços seguros oferecem a elas um ambiente onde podem se expressar, recuperar a confiança e simplesmente voltar a ser crianças”, acrescentou.

O ebola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, provocando febre hemorrágica, vômitos, diarreia e hemorragias internas.