logo Agência Brasil
Justiça

Belo Monte: Dino determina liberação de R$ 19 milhões a indígenas

Ministro do STF reconheceu direito dos indígenas aos lucros da usina
André Richter - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 02/12/2025 - 15:25
Brasília
Altamira (PA), 08/01/2025 - No dia 5 de maio de 2016, foi inaugurada a Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte. Localizada no Rio Xingu, no Pará, sua capacidade instalada é de 11.233,1 MW, sendo reconhecida como a maior hidrelétrica 100% brasileira.
O empreendimento utiliza, em seu reservatório principal, uma tecnologia preservacionista conhecida como fio d’água, o monitoramento das estruturas, previsto no Plano, é um dos mais bem equipados do país. Dispondo de 1.976 instrumentos, de 12 diferentes tipos, realiza-se uma avaliação periódica ao desempenho das estruturas de concreto dos 28 diques que conformam o Reservatório Intermediário e das barragens de Pimental e Belo Monte.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
© Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (2) que o governo federal libere R$ 19 milhões para as comunidades indígenas afetadas pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. O montante deverá ser usado para incrementar o benefício do programa Bolsa Família aos indígenas.

A decisão foi tomada no processo no qual Dino determinou que os indígenas devem ter participação nos lucros da usina.

"Verifico que se cuida de montante relevante, imprescindível para a dignidade das comunidades indígenas atingidas pela usina de Belo Monte, especialmente na Volta Grande do Xingu", decidiu Dino. 

O valor que será destinado aos indígenas está depositado em conta específica e é oriundo dos repasses mensais que foram feitos pela Norte Energia, empresa responsável pela hidrelétrica, entre os meses de março e outubro deste ano. 

Participação

Em março deste ano, o ministro reconheceu o direito dos indígenas aos lucros. A decisão foi motivada por uma ação protocolada pela Associação Yudjá Miratu da Volta Grande do Xingu.

A entidade alegou ao STF que o Congresso está em omissão legislativa ao deixar de aprovar a regulamentação dos dispositivos constitucionais que garantem participação das comunidades no resultado da exploração de recursos hídricos e riquezas minerais que estão em terras indígenas.

As comunidades relataram os problemas enfrentados nas terras indígenas Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá com a construção da usina de Belo Monte. 

Entre os problemas listados, estão a diminuição da vazão do Rio Xingu, que prejudicou a pesca e a navegabilidade, mortandade de peixes, turbidez e potabilidade da água e diminuição da caça.

Segundo o ministro, a usina começou a operar em 2015 e agravou o modo de vida dos indígenas da região.