Seções especiais funcionam normalmente em Brasília

Publicado em 05/10/2014 - 13:29 Por Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil - Brasília

 Alexandre Lins, estudante (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Alexandre Lins, 28 anos, votou numa seção especial em Brasília e disse que não teve qualquer problema

Elza Fiúza/Agência Brasil

No Distrito Federal, mais de 110 seções foram preparadas para receber eleitores com necessidades especiais. Em todo o país, o número de seções adaptadas passa de 32,2 mil, quase três vezes mais do que nas eleições de 2010 (17,9 mil seções). Apenas em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, são mais de 10,3 mil pontos especiais para votação este ano.

Em Brasília, seções especiais funcionam sem problemas. Alexandre Lins, 28 anos, contou não teve qualquer problema para chegar até a seção eleitoral hoje (5). Cadeirante há 10 anos, desde que foi atropelado no trânsito, o estudante foi um dos brasileiros que requereu, na Justiça Eleitoral a votação em uma sala adaptada. “Sempre votei aqui e não tenho qualquer problema”, disse ao chegar à escola no Núcleo Bandeirante, a quase 15 quilômetros do centro de Brasília. “Foi fácil chegar até aqui e entrar na sala com a cadeira”, completou.

Aos 62 anos, dona Maria Amélia de Fátima também faz questão de cumprir o dever do voto e conta com o filho para ajudá-la, a cada eleição, a empurrar a cadeira até a urna. Ela que mora em um lar de idosos em Brasília, conseguiu o transporte da instituição até o prédio onde fica sua seção eleitoral. “Assim ficou muito fácil e o atendimento lá dentro foi perfeito. Votei no segundo andar da escola, mas tem até elevador”, afirmou. Segundo ela, no trajeto, muita gente ajuda.

Nas ruas próximas às zonas eleitorais na cidade formava-se um tapete de santinhos de diversos partidos. Eleitores que não tinham qualquer problema para se locomover escorregavam diversas vezes em cima dos papéis. “Não tem corrimão para a gente se apoiar na subida da rampa. Se não estivesse com a minha irmã, não teria como passar”, explicou a funcionária pública Maria de Fátima que usa muletas para andar.

Quem também contou com a ajuda da família foi a estudante de 20 anos Natália Maiara. Ela perdeu as duas pernas quando foi atropelada aos 16 anos. “Estou votando pela primeira vez e tudo correu muito bem. Entrei na sala com facilidade e minha irmã pôde ir até a urna comigo. Isso ajudou”, disse ao lado de Raíssa Azevedo, 18 anos.

 Natália Naiara Azevedo, estudante (Elza Fiúza/Agência Brasil)

“Estou votando pela primeira vez e tudo correu muito bem", disse a estudante de 20 anos Natália Maiara.

Elza Fiúza/Agência Brasil

Numa rápida vistoria por uma das zonas eleitorais no Núcleo Bandeirante, que tem seção adaptada para pessoas com qualquer tipo de deficiência, a promotora eleitoral auxiliar Cláudia Tomelin garantiu que nenhum problema foi identificado até o final da manhã. Segundo ela, a única dificuldade encontrada na região estava relacionada à biometria. “Tudo dentro da normalidade”, disse ao sair da seção especial de uma escola, depois de conversar com o fiscal responsável. “Aqui [na zona eleitoral] tivemos problemas só com uma máquina e estava relacionada à biometria. Só quatro pessoas conseguiram ser identificadas.”

Até o dia 7 de maio, prazo definido como limite pela Justiça Eleitoral, quase 149 mil eleitores com algum tipo de deficiência fizeram pedido de atendimento especial para votar hoje. O cadastro da Justiça Eleitoral reúne o registro de 430 mil eleitores com deficiência em todo o país.

As regras criadas para facilitar a votação de pessoas com alguma deficiência passsaram a valer em 2002. Pela resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os locais de votação para os deficientes precisam ter fácil acesso, como rampas, corrimão e localização no andar térreo, estacionamento próximo e instalações que atendam às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Há quatro anos foram incluídas outras normas, como a possibilidade de o eleitor ser acompanhado por uma pessoa de sua confiança para votar, mesmo sem ter pedido antecipadamente ao juiz eleitoral. Além de poder entrar na cabine, a pessoa que prestar o auxílio pode digitar os números na urna.

Para atender a casos de deficientes visuais, ainda é preciso ter sistema de áudio, teclado em braile e a marca de identificação da tecla cinco na urna eletrônica. Os tribunais regionais eleitorais (TREs) ainda recebem uma recomendação para que tentem fechar parcerias para cadastrar mesários e colaboradores que conheçam a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Edição: Talita Cavalcante

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