Temer diz que será difícil acabar com financiamento de campanhas por empresas

Publicado em 16/03/2015 - 18:26 Por Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O vice-presidente da República, Michel Temer, participa de evento com empresários da indústria de todo o estado, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), no centro da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Em  palestra  para  empresários,  o  vice-presidente voltou a defender voto majoritário para vereadores, deputados e  senadoresTânia Rêgo/Agência Brasil

O vice-presidente da República, Michel Temer, voltou a defender hoje (16) o voto majoritário para vereadores, deputados estaduais e federais, o chamado o distritão. Em palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Temer disse que será difícil eliminar o financiamento empresarial de campanhas políticas, como defendem setores da sociedade. Para ele, o financiamento é uma “contribuição do exercício da cidadania”.

Segundo Temer, o sistema proporcional, adotado hoje, leva em conta os votos de cada candidato e o conjunto de votos recebidos pelo partido,o que obriga as legendas a procurar pessoas com potencial de alavancar votos, em detrimento da afinidade ideológica. Com o voto majoritário, no qual ganha, de fato, o candidato mais votado, ele acredita que a representatividade nas câmaras será mais justa e democrática.

“Muitas vezes, no Congresso Nacional, tivemos experiências, em face do coeficiente eleitoral (usado no cálculo do sistema proporcional), em São Paulo, por exemplo, em que [o coeficiente eleitoral] é 300 mil votos e o partido que faz 900 mil votos elege três deputados. Ou seja, se um candidato tiver 900 mil votos, mais dois serão eleitos, mesmo que tenham 1 voto cada um”, esclareceu. “Não estou exagerando, já teve caso em que um deputado obteve 1,6 mil votos e levou consigo [para o Congresso] cinco deputados, um deles com 285 mil votos”.

O voto majoritário, no entanto, é criticado por setores da sociedade. A explicação é que poderia encarecer as campanhas, favorecer candidatos mais ricos e as celebridades, além de enfraquecer os partidos políticos, apesar da obrigatoriedade da fidelidade partidária, como defende Temer.

“Tenho tranquilidade para reconhecer que a medida reduz o número de partidos, mas convenhamos, a ideia de partido é a ideia de parte, uma parcela da opinião pública que quer chegar ao poder. Aí, eu pergunto: será que temos 32 correntes de opinião pública? Acredito que não”, disse o vice-presidente.

Defendendo a reforma política como atribuição do Congresso Nacional, Temer vê dificuldade para acabar com o financiamento privado das campanhas, mas defende que as empresas, nas eleições majoritárias, escolham apenas um candidato “A empresa, quando vai doar, está exercendo a cidadania. Ao fazê-lo, deve fazer uma opção: opto pela candidatura tal. Nos cargos proporcionais, não, com certeza, doará para muitos.”

Temer defendeu que as eleições municipais coincidam com as eleições para presidente e para os representantes no Congresso Nacional, contando que haja aumento do tempo de mandado dos atuais quatro para cinco ou seis anos.

Edição: Beto Coura

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