Manifestantes protestam contra o governo e pedem Diretas Já em vários estados

As manifestações foram motivadas pela delação premiada dos empresários

Publicado em 21/05/2017 - 18:26 Por Da Agência Brasil* - Brasília

Manifestantes ligados a centrais sindicais e a movimentos de esquerda reuniram-se hoje (21) em diversas cidades do país. Eles protestaram contra o governo federal e defenderam eleições diretas. No Rio de Janeiro, em Brasília e no Recife, os protestos tiveram pouca adesão na manhã deste domingo. Em Porto Alegre, o ato foi cancelado em razão do mau tempo.

Na capital federal, cerca de 350 pessoas se reuniram em frente ao Museu da República. De acordo com o tenente Marcus Uitálo Menezes, da Polícia Militar do DF, o ato, iniciado às 10h e encerrado pouco mais de duas horas depois, foi pacífico.

As manifestações foram motivadas pela delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Ontem (20), o presidente Michel Temer afirmou que permanece na Presidência da República e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do inquérito que o investiga.

Rio de Janeiro

Manifestantes no Rio de Janeiro

Durante  o  ato,  foi estendida uma faixa branca

para  que  os  manifestantes  registrassem  seus protestosCristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Servidores de diversas categorias do estado do Rio e representantes de sindicatos reuniram-se na Praia de Copacabana, próximo do Hotel Copacabana Palace. De acordo com Ramon Carrera, um dos líderes do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe), que organizou o ato, a entidade já tinha marcado o encontro há duas semanas para protestar contra a situação precária dos servidores do Rio, que enfrentam atraso de salários e falta de condições de trabalho.

A manifestação era também para pedir o impeachment do governador Luiz Fernando Pezão. Segundo Carrera, com os últimos acontecimentos no país, o ato serviu para também protestar contra o governo federal.

“Era um ato contra o governo Pezão e contra a corrupção instalada no Rio de Janeiro, que ajudou a quebrar o estado. No meio da convocação, feita há duas semanas, a gente teve essa avalanche no governo federal, o que, para nós, é motivo de muita tristeza."

Carrera, que é também diretor-geral do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (Sindjustiça), destacou que a Lei de Recuperação Fiscal dos Estados, aprovada pelo Congresso e sancionada sexta-feira (19) sem vetos pelo presidente Michel Temer, ainda terá de passar por votações de medidas complementares de austeridade do estado como contrapartidas para assegurar a negociação das dívidas, entre elas o aumento da contribuição previdenciária dos servidores e o congelamento de reajustes salariais para as categorias.

A nova legislação é apontada pelo governador Pezão como fundamental para colocar o pagamento dos servidores em dia. Para o integrante do Muspe, há medidas que poderiam ser adotadas e não provocar uma pressão sobre a população e servidores. “Os exemplos são cobrar o crédito da Lei Kandir, da ordem de R$ 50 bilhões, a divida ativa, de R$ 66 bilhões, fazer o enfrentamento e rever as isenções fiscais”, disse.

De acordo com Carrera, a manifestação foi apartidária e custeada pelos sindicatos que vivem da contribuição dos servidores. Durante o ato foi estendida uma faixa branca para que os manifestantes escrevessem mensagens ou registrassem seus protestos.

Outro grupo concentrou-se em frente à estação do metrô de São Conrado e seguiu pela orla do bairro até o prédio onde mora o presidente da Câmara dos Deputados, Rocrigo Maia (DEM-RJ).

A organização e a Polícia Militar não divulgaram estimativas sobre o número de pessoas que participaram da manifestação.

Belo Horizonte

 

Manifestantes em Belo Horizonte

Manifestantes em Belo HorizonteLéo Rodrigues/Agência Brasil

Em Belo Horizonte, os manifestantes se reuniram às 9h na Praça da Liberdade e seguiram para a Praça Sete, tomando as ruas do centro. Assim como no ato da última quinta-feira (18), a convocação foi realizada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, grupos que reúnem centrais sindicais, sindicatos, organizações estudantis e entidades dos movimentos sociais.

O principal mote dos manifestantes foi o pedido de eleições diretas. "Só o voto popular pode resolver essa imensa crise política, resgatar a democracia e credibilidade na principal instituição brasileira" informava a convocação nas redes sociais.

Segundo Beatriz Cerqueira, presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG), a eleição indireta não resolve a crise no país. "Na eleição indireta, o Congresso elegerá o presidente da República e na sequência aprovará as reformas da Previdência e trabalhista. Por isso, para nós, a única saída é ocupar as ruas gritando: Diretas Já. Queremos de volta o direito de eleger o presidente", disse.

Para Beatriz, o país vem piorando. "Essa tem de ser uma luta de todos os brasileiros. São 14 milhões de desempregados. Por isso também queremos as reformas do Judiciário, tributária, porque o pobre é quem mais paga imposto hoje no Brasil, e política, porque os deputados e senadores estão sempre votando contra os interesses da população."

Recife

 

Manifestantes no Marco Zero do Recife

Manifestantes no Marco Zero do RecifeSumaia Villela/Agência Brasil

Na capital pernambucana, o ato ocorreu no Marco Zero, localizado no Recife Antigo, e teve participação bem menor do que o protesto da última quinta-feira (18).

Enquanto a reportagem esteve no local, até as 15h, cerca de 300 pessoas participaram da manifestação.

De acordo com Carlos Veras, presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das organizações que convocaram a mobilização, já se previa que hoje não haveria uma adesão massiva.

"O grande ato foi na quinta. Queremos dialogar com as pessoas que vêm ao Marco Zero [local turístico e de lazer] e nos mobilizarmos rumo a Brasília para o ato por Diretas Já do dia 24."

São Paulo

Em São Paulo, o ato pelas Diretas Já e contra o governo federal ocorreu sob forte chuva. Os manifestantes tentaram se proteger da chuva embaixo das marquises ou usavam guarda-chuvas e capas de chuva. O ato, convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, teve início por volta das 15h e foi encerrado às 18h.

O principal caminhão de som foi instalado ao lado do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e nele discursaram líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), políticos e integrantes de centrais sindicais, entre elas a CUT e a Intersindical.

A manifestação da Avenida Paulista foi organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo

Manifestação na Paulista foi organizada

pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem

Medo       Rovena  Rosa/Agência  Brasil

A Polícia Militar e os organizadores não divulgaram o número de manifestantes. Segundo a PM, o protesto transcorreu de forma absolutamente pacífica até este momento.

O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro Índio, disse que o ato defende a saída do presidente da República, a convocação de eleições diretas no país e a imediata interrupção da tramitação das reformas trabalhista e da Previdência. "Este Congresso não tem a menor condição de aprovar mudanças que mexem com a vida do povo, nem de escolher um novo presidente”, afirmou Carneiro Índio.

O presidente da CUT, Vágner Freitas, disse que a chuva atrapalhou muito, mas defendeu a importância da mobilização. Para Freitas, as eleições diretas no país seriam possíveis por meio de uma emenda popular. De acordo com Freitas, as centrais sindicais e os movimentos sociais continuarão mobilizados no país e pretendem fazer um grande ato na próxima quarta-feira, em Brasília. “Vamos continuar a mobilização nas ruas até ter eleição direta”, concluiu.

Fortaleza

Em Fortaleza, manifestantes se reuniram na Praia de Iracema e fizeram passeata pela Avenida Beira-Mar. Organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o ato reuniu pessoas da capital e do interior. As mensagens das faixas e cartazes exibiam frases com palavras de ordem, entre elas Diretas, Já.

"A solução para o país neste momento é promover eleições diretas, para que possamos continuar o ciclo de desenvolvimento interrompido pelo golpe", disse o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Ceará, Luís Carlos de Sousa.

*Colaboraram Cristina Indio (Rio de Janeiro), Léo Rodrigues (Belo Horizonte), Sumaia Villela (Recife), Daniel Isaia (Porto Alegre), Elaine Patrícia Cruz (São Paulo) e Edwirges Nogueira (Fortaleza)

Edição: Armando Cardoso

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