História Hoje: Rachel de Queiroz foi primeira mulher na Academia Brasileira de Letras
Em 28 de outubro de 1937, Rachel de Queiroz, uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira, foi presa no Brasil.

A prisão, que durou dois anos, ocorreu em Fortaleza, capital do Ceará, durante a ditadura de Getúlio Vargas. A acusação era de que a escritora era comunista. Seus livros foram queimados em praça pública.
No confinamento, escreveu o Caminho de Pedras, livro que retrata as decepções em relação ao Partido Comunista, com o qual chegou a romper, e o conflito entre operários e intelectuais de militância.
Menos de 30 anos após ser presa, Rachel de Queiroz, em 1964, apoiou a ditadura militar que se instalava no Brasil. Integrou o Conselho Federal de Cultura e o diretório nacional da Arena, partido político de sustentação do regime.
A obra de Rachel de Queiroz é marcada pela crítica social. O livro “O quinze”, escrito aos 20 anos, ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras. O romance mostra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria.
O romance Memorial de Maria Moura, escrito em 1992, conta a saga de uma cangaceira nordestina, e foi adaptado para a televisão.
Além de escritora, foi também cronista, jornalista, tradutora e dramaturga, e foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras.
Raquel de Queiroz ganhou o prêmio Jabuti de Literatura Infantil, em 1970. Em 1993, o Prêmio Camões, o mais importante reconhecimento literário em língua portuguesa.
Durante trinta anos escreveu crônicas para a revista semanal O Cruzeiro e para o jornal O Estado de S. Paulo. Ela dizia que não gostava de escrever e que o fazia apenas para se sustentar.
Rachel de Queiroz morreu, aos 92 anos, no Rio de Janeiro, vítima de problemas cardíacos.