As marchinhas continuam ditando o ritmo do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Mas não todas e nem em todos os blocos.

Grupos que desfilam principalmente no circuito não oficial tem questionado algumas músicas por considerarem que suas letras são racistas, machistas ou homofóbicas.
A instrumentista Ju Storino, que toca em diversos blocos, há vários carnavais, é uma das pessoas que tem bancado essa discussão.
Ela explica que a questão ganhou fôlego depois que algumas mulheres se recusaram a tocar “Mulata Bossa Nova”, por causa da etimologia do termo, que remete à mula, um animal híbrido.
Já o compositor desta e de outras marchinhas famosas argumenta que elas nunca tiveram a intenção de ofender. Roberto Kelly, que também escreveu “Cabeleira do Zezé” e “Maria Sapatão”, músicas consideradas ofensivas à pessoas LGBT, defende que suas canções remetem às fantasias e brincadeiras de carnaval.
Ele garante que não tem receio de que novas marchinhas sejam criadas e tomem o lugar das mais antigas, incluindo as que ele compôs.
Para o antropólogo André Videira, que participa de cortejos como o da Orquestra Voadora, a intenção pouco importa. A partir do momento em que um grupo reclama, essas pessoas precisam ser ouvidas.
Já em blocos tradicionais como o Cordão do Bola Preta, essa conversa não tem lugar. Completando 100 desfiles no ano que vem e levando 2 milhões de pessoas para as ruas do centro do Rio todos os anos, o bloco promete tocar todas as marchinhas mais conhecidas.