Campanha da ativista Katú Mirim #ÍndioNãoÉFantasia gera polêmica no carnaval 2018
O carnaval é a festa da folia, da irreverência e a data em que tá liberado ser o que quiser. Só que não. Quem costuma se vestir de índio, por exemplo, virou alvo de críticas

A ativista Katú Mirim foi pra internet lançar a campanha #IndioNãoéFantasia. Para ela, usar adereços tipicamente indígenas ofende a imagem desses povos e cria estereótipos.
Sonora: “Pessoas não são fantasias. Culturas não são fantasias porque elas existem. No carnaval, você é lido de acordo com a sua fantasia. Então, a pessoa que chegar pra você. ela vai falar oi, tomate; oi, laranja; oi, Shreck; oi, índio... Aquele estereótipo que você está reforçando.”
O desabafo da ativista continua ao dizer que vestir-se de índio no carnaval não é homenagem.
Sonora: “Você acha mesmo que, durante uma festa, uma festa de carnaval, que você se fantasia de índio, que você demonstra como fantasia uma cultura, um povo que existe, que é massacrado, você acha que isso é homenagem? Você usa a fantasia de índio porque quer chamar a atenção.”
O paulistano Vinícius Couto foi pro carnaval da Avenida Paulista com o corpo coberto de penas azuis. Explicou que não estava fantasiado de índio e disse concordar com a campanha.
Sonora: “O índio pra mim nunca vai ser uma fantasia, sempre vai ser um respeito. Se fantasiar de índio pra mim é um desrespeito com a nossa cultura.”
Já o empresário Vinícius Moreira discorda e diz que, no carnaval, as pessoas podem se vestir do que quiserem.
Sonora: “Eu acho que é. Eu não sou índio. Então é uma fantasia. A brincadeira é uma fantasia. Eu estou de Fred Flinston, mas é a mesma coisa. Minha fantasia é a minha liberdade de se expressar. Você pode se fantasiar do que você quiser, até de você mesmo. Se pra você é uma fantasia, valeu.”
A questão também divide internautas que defendem e contestam a campanha. Nas redes sociais também há outras polêmicas, como as de homens que se vestem com roupas de mulheres e fantasias sensuais de enfermeiras e a famosa "nega maluca".
* Com a colaboração de Eliane Gonçalves, de São Paulo