Festa dos Estados: conheça a história do ponto de encontro tradicional que cresceu com Brasília
A primeira grande festa popular de Brasília capaz de fazer frente ao carnaval surgiu no começo dos anos 60. Dois meses depois da inauguração da nova capital, em junho de 1960, um grupo de pioneiras fundou uma creche em um barraco de madeira que tinha sido usado na construção da 108 Sul. Foi ali que nasceu a Casa do Candango, uma entidade sem fins lucrativos que passou a ajudar crianças e idosos carentes.

Mas a Casa do Candango precisava de verba para se manter. Foi aí que a pioneira Yolanda Avena Pires teve a ideia de fazer um evento para arrecadar fundos. E foi assim que começou a Festa dos Estados.
Essa história está na série de livros “Histórias de Brasília”, do pesquisador João Carlos Amador. Ele conta mais sobre o começo da Festa dos Estados, que teve sua primeira edição em 1962, na 105 Sul.
Era sempre na última semana de junho, quando o frio daquela cidade ainda sem tantos prédios e com árvores pequenas mais castigava a população. A fumaça saía da boca, mas ninguém desanimava. Os candangos vestiam as roupas mais quentinhas e iam confraternizar. Afinal, eram poucas as opções de lazer naquela época. Era lá que os primeiros moradores de Brasília encontravam os amigos, paqueravam e lembravam de casa.
Cada barraca trazia a primeira-dama de seu estado, as “Patroneces”. Elas vinham divulgar a cultura local, mas também buscavam votos para os maridos candidatos. Quando os moradores começaram a votar no Distrito Federal, o interesse diminuiu. No auge do evento, nos anos 70 e 80, a Festa dos Estados chegava a ter transmissões ao vivo pela TV.
João Carlos Amador lembra que a festa atraía para o meio do cerrado artistas e autoridades de todo o país.
Foi um sucesso tão grande, que, da 105 Sul, passou para a 107. Depois, foi para atrás do Cine Brasília, na entrequadra 106/107 Sul, para o Setor Hoteleiro Norte, para a Torre de TV e para o Pavilhão do Parque da Cidade. Aliás, a Festa dos Estados foi o principal motivo para a construção do pavilhão, também chamado de Expobrasília.
O pesquisador João Carlos Amador avalia que as novas tecnologias aproximaram tanto as pessoas do que tinham saudade em suas terras de origem, que já não sobrava saudade para matar na Festa dos Estados.
Mas a festa continua presente na lembrança de quem cresceu em Brasília. E, quando começou a receber representantes de países como Japão e Estados Unidos, deu início a um outro evento tradicional da cidade: a Festa das Nações.