Circularam pela internet na última semana imagens de índios realizando uma operação para conter o desmatamento no interior da Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão. Os guerreiros da etnia Ka’apor, como são conhecidos, detiveram madeireiros ilegais e desmontaram acampamentos.

As fotografias de autoria de Lunae Parracho, da Agência Reuters, mostram indígenas correndo atrás dos madeireiros, que foram rendidos e tiveram as mãos amarradas. Alguns tiveram parte das roupas retiradas.
A Terra Indígena Alto Turiaçu tem 5.300 quilômetros quadrados de área e compreende seis cidades do Maranhão. A ação resultou em um caminhão queimado, acampamentos destruídos e a abordagem de envolvidos no desflorestamento.
O antropólogo José Mendes, que atua na região em defesa dos Ka’apor, conta que o conflito entre índios e madeireiros se intensificou há cerca de um ano. Os índios fecham as estradas de maior fluxo de caminhões para evitar a passagem dos madeireiros ilegais e já criaram cinco áreas de proteção para as famílias indígenas. Segundo o antropólogo, há um ano havia 24 passagens e hoje apenas duas continuam movimentadas, o que considera mérito das operações indígenas.
O antropólogo relata também que as operações organizadas pela Funai e pelo Ibama trazem riscos para os indígenas, que ficam expostos e passam a ser perseguidos pelos madeireiros. José Mendes conta que os madeireiros entram nas áreas de proteção e fazem ameaças para que os índios desistam de permanecer na região.
Em nota, o Ministério Público Federal no Maranhão disse que a Justiça Federal condenou, em janeiro deste ano, o Ibama e a Funai a implantarem postos de fiscalização para coibir atividades ilegais nas Terras Indígenas Alto Turiaçu, Awá Guajá e Caru em até 120 dias.
A assessoria de comunicação da Funai afirmou em nota que recorreu da decisão da Justiça Federal e que até o momento não tem decisão final do caso. Apesar disso, reconheceu que a fiscalização é insuficiente para atender a demanda da região. A fundação disse também que tem conhecimento da atuação dos índios como guardiões da floresta e já solicitou apoio policial para evitar que ocorram excessos ou conflitos.
A Assessoria do Ibama informou que o órgão também recorreu no caso por não ter sido determinada a verba para as obras na terra indígena. O instituto negou, no entanto, a participação dos índios nas operações que organizaram em conjunto com a Funai na região de Alto Turiaçu.