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Direitos Humanos

Quase 1.600 pessoas foram resgatadas do trabalho escravo

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Katiana Rabelo
28/01/2015 - 15:41
Brasília

Mil quinhentos e noventa trabalhadores em situação semelhante ao de escravo foram resgatados no ano passado no país. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Em duas décadas, as fiscalizações dos auditores dos trabalhadores resgataram 47 mil pessoas em situação de escravidão.


Para o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, a impunidade dos patrões é um dos principais entraves para o fim do trabalho escravo no Brasil. "O pior não é punir ou não punir. Mas a demora no julgamento que passa a sensação de impunidade."

 

Para a presidente do Sindicato dos Auditores-fiscais do Trabalho, Rosa Maria Jorge, a impunidade existe por causa do forte poder econômico de quem emprega trabalhadores em situação de escravidão.

 

"Recentemente uma associação que representa as grandes empreiteiras ingressou com uma ação no STF e conseguiu liminar para impedir a divulgação da lista suja do trabalho escravo. O direitor dessa associação é presidente de uma das maiores construtoras do país, onde meus colegas tem resgatado inúmeros trabalhadores."

 

Minas Gerais é o estado com o maior número de casos identificados de trabalho escravo. No ano passado foram 354. Em seguida estão os estados de São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e Piauí. A maior parte das pessoas resgatas trabalhavam nas atividades da construção civil, agricultura, pecuária e extração vegetal.


Os números foram divulgados nesta quarta-feira em referência à Semana de Combate ao Trabalho Escravo e ao Dia Nacional do Auditor-fiscal do Trabalho.


A categoria participou de um ato, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para pedir a condenação dos acusados pela chacina de Unai, em Minas Gerais, há onze anos. Em janeiro de 2004, três fiscais do trabalho e um motorista do Ministério foram assassinados em uma operação em Unaí. Das nove pessoas indiciadas pelo crime, três foram julgadas e condenadas.


As viúvas dos auditores, representantes do Sindicato que representa a categoria e o Ministro do Trabalho, Manoel Dias, se reuniram, nesta quarta-feira, com a ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, para pedir pressa no julgamento, que está parado desde outubro de 2013.

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