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Direitos Humanos

Queixas de violência contra mulheres jornalistas dobraram, diz ONU

Violência, sobretudo online, restringe a participação na vida pública
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Gabriel Correa - repórter da Rádio Nacional
01/05/2026 - 14:23
São Luís
Brasília (DF) 25/07/2023 - A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, participa de uma café da manhã com as profissionais de imprensa por ocasião do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
© Joédson Alves/Agência Brasil

Desde 2020, dobrou o número de queixas de violência contra mulheres jornalistas no mundo. Os dados divulgados nesta sexta-feira (1º) são de um relatório realizado pela ONU Mulheres, órgão das Nações Unidas dedicado à igualdade de gênero.

O estudo investiga como a violência, especialmente online, está restringindo a participação das mulheres na vida pública.

Pelo menos 12% das defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas e profissionais da mídia relatam ter sofrido o compartilhamento não consensual de imagens pessoais. 6% foram vítimas de "deepfakes", que são vídeos com áudios e imagens falsas que manipulam rosto e voz de forma bastante realista.

A chefe da Seção de Fim da Violência contra as Mulheres da ONU, Kalliopi Mingeirou, considera que a inteligência artificial tornou o abuso mais fácil e mais prejudicial. Para ela, isso significa mais misoginia, perda de direitos históricos e retrocessos democráticos.

O estudo aponta ainda que uma em cada três profissionais receberam abordagem sexual por mensagens digitais. 

Além disso, uma em cada quatro jornalistas foi diagnosticada com ansiedade ou depressão relacionadas à violência.

Quatro em cada 10 entrevistadas disseram fazer "autocensura" nas redes sociais para evitar abusos. Entre as profissionais da mídia, o índice é ainda maior: 45% delas fizeram algum tipo de autocensura nas redes sociais no ano passado.

O relatório aponta ainda que a proteção legal muitas vezes é insuficiente... Segundo o Banco Mundial, menos de 40% dos países têm leis para proteger mulheres do assédio cibernético. 

Por outro lado, o estudo aponta que aumentaram as ações judiciais e denúncias. Se em 2020, apenas 6% das jornalistas e profissionais de mídia tomaram medidas legais contra agressores essa quantidade subiu para 14% no ano passado.

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