A decisão do Comitê de Política Monetária de manter a taxa básica de juros da economia (a Selic) em 14,25% repercutiu no mercado financeiro. O dólar abriu o dia cotado a R$ 4,15, e a definição também surpreendeu analistas.

Para o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração, Ricardo de Almeida, a medida é negativa. Ele afirma que o anúncio apenas adia uma elevação ainda maior dos juros no futuro e os efeitos serão sentidos no segundo semestre.
Sonora: "A inflação descontrolada vai impor um aumento dos juros muito mais forte e isso vai ter efeito ainda mais danoso para a economia, principalmente para as empresas, que têm dívidas indexadas ao CDI, e isso deve pressionar o caixa das empresas e fazer a atividade econômica cair ainda mais. Do jeito que está, não aumentar os juros agora é adiar uma alta muito mais intensa e mais duradoura, inclusive."
Mas o professor de Finanças da Universidade de São Paulo, Alberto Matias, discorda. Segundo ele, a expectativa de conter a inflação com o aumento dos juros se aplica quando a economia vai bem, mas, em um contexto de crise financeira, o que acontece no Brasil é justamente o contrário.
Sonora: " Na verdade, o aumento da taxa de juros no Brasil, nas condições que estamos vivenciando, ela eleva a taxa de inflação e não o contrário. Você acaba aumentando os juros, as empresas acabam repassando esse custo financeiro no preço dos produtos, então você tem uma elevação de preços por conta da elevação da taxa de juros. Então a estratégia do Banco Central, na minha opinião, é perfeitamente correta."
A taxa básica de juros, a Selic, é usada em negociações de títulos públicos e serve como referência para as demais taxas de juros, como as cobradas em financiamentos e no cartão de crédito.