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Economia

China e entidades do setor produtivo criticam tarifaço de Trump

Presidente dos EUA anunciou cobrança de 50% das importações do Brasil
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Gabriel Corrêa - Repórter da Rádio Nacional
11/07/2025 - 13:01
São Luís
U.S. President Donald Trump delivers an address to the nation at the White House in Washington, D.C., U.S. June 21, 2025, following U.S. strikes on Iran's nuclear facilities. REUTERS/Carlos Barria/Pool
© Reuters/Carlos Barria/Proibida reprodução

A China defendeu o Brasil e criticou o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país asiático, Mao Ning, declarou nesta sexta-feira (11), a jornalistas, que "igualdade soberana e não interferência em assuntos internos são princípios importantes da Carta das Nações Unidas e normas básicas nas relações internacionais". Ela acrescentou ainda que "tarifas não devem ser um instrumento de coerção, intimidação ou interferência".

Representantes da indústria brasileira e do agronegócio também criticaram a intenção do presidente norte-americano de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, "não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto". Os EUA já têm superávit de quase US$ 257 bilhões. Segundo a CNI, cerca de 10 mil empresas brasileiras seriam diretamente prejudicadas.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) considera que o tarifaço é prejudicial para os dois países e que "a economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política".

Exportadores de café, suco de laranja, minérios, petróleo bruto e aviões seriam os mais diretamente impactados.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, que responde por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos, lembra que o petróleo bruto é hoje o principal item de exportação para os EUA. A Associação Brasileira dos Produtores de Ferro (Abrafe) apelou para "princípios do comércio justo". As duas entidades, além da Embraer — Empresa Aeroespacial Brasileira —, informaram que avaliam a situação com cautela.

Para a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos, as novas tarifas poderiam consumir até 70% do valor do suco de laranja exportado. Segundo a entidade, "é pouco provável" que outros mercados consigam absorver um eventual excedente de produção. O Brasil é o maior fornecedor de suco de laranja para os EUA, que compram mais de 40% das exportações brasileiras.

Com o café, a situação é semelhante. Segundo a Associação Norte-Americana de Café, dois terços da população dos EUA consomem café todos os dias, em uma cadeia que sustenta quase 2,2 milhões de empregos no país. Como mais de 99% do café consumido sendo importado, essa cadeia faz com que cada dólar investido em importação de café gere US$ 43 para a economia local. Toda essa estrutura pode ser abalada, já que um terço do café consumido nos EUA é brasileiro.

A Federação Norte-Americana do Varejo também expressou preocupação com as tarifas anunciadas por Donald Trump nos últimos meses. A entidade — a maior representante do comércio varejista mundial — considera que as taxas serão pagas não pelas nações estrangeiras, mas pelos próprios importadores norte-americanos, que repassarão os custos ao consumidor final, gerando mais inflação.

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