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Economia

Bacen decreta liquidação extrajudicial da Reag após operação da PF

Empresa é investigada no âmbito da Operação Compliance Zero
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Gabriel Brum - Repórter da Rádio Nacional
15/01/2026 - 09:52
Brasília
Brasília (DF), 03/11/2023, Prédio da Caixa Econômica Federal e do Banco Central.  Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. De acordo com a nota divulgada nesta quinta-feira (15), a empresa foi condenada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

O Banco Central informou ainda que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades dentro das competências legais da instituição. A partir do que for apurado, o Bacen poderá aplicar mais sanções administrativas e comunicar às autoridades competentes. De acordo com a lei, os bens dos controladores e administradores da instituição estão indisponíveis.

Operação Compliance Zero

A decisão veio um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que ontem voltou a mirar o dono do Banco Máster, Daniel Vorcaro, e outros executivos. Entre eles, o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag, investigados por suposto envolvimento nas fraudes contra o sistema financeiro. Nós pedimos um posicionamento da Reag e do Banco Central e aguardamos uma resposta.

A Reag atua na estruturação e administração de fundos de investimento. Por isso, ela não tem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O impacto da liquidação vai ser sentido por investidores e bancos com que ela tinha relacionamento, disse o professor de mercado financeiro da UNB, César Bergo:

"Normalmente os fundos de investimentos conduzidos pela Reag são destinados a investidores qualificados e profissionais. Então, ela praticamente não tinha fundos de varejo, aquele do dia a dia ali. Então não deve causar um grande impacto no sistema financeiro nesse aspecto de investidor, mas do ponto de vista de volume e se houve realmente fraude, isso aí pode ter um impacto muito grande, sobretudo no tocante à confiança", diz.

Com a liquidação, o primeiro passo é verificar a real situação da Reag e avaliar se há prejuízo a quem investiu nela ou se vai ser possível pagar todo mundo, explicou o professor César:

'"esse primeiro momento, o liquidante vai efetuar um levantamento dos ativos dessa instituição financeira e os passivos, verificando o que que pode ser feito. Pela apuração aí da Polícia Federal, que a gente tem conhecimento, houve muitos fundos que tiveram os ativos inflados. Então isso pode acontecer de você não ter esses recursos e vai causar prejuízo", aponta.

O professor lembrou também que, como a Reag é uma distribuidora de valores mobiliários, ela também pode ser alvo de análise da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O Banco Central também anunciou nesta quinta-feira a liquidação da Advanced Corretora de Câmbio, por comprometimento da situação econômico-financeira e por graves violações às normas do sistema financeiro. Não há informações de envolvimento da corretora com o caso Máster.

*Atualizada em 15/01 às 14h02 para acréscimo de informações

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