Projeto trabalha mulheres negras na história por meio de bonecas
Estudantes do 1º ano do ensino médio de um colégio da Bahia participam do projeto Bonecas Pretas, idealizado pela professora de história e escritora Daniela Torres.

A ideia surgiu quando a professora percebeu que havia uma ausência de bonecas negras no universo infantil, assim como de personagens femininas na história oficial ensinada nas escolas.
"Na sala de aula eu comecei a perceber que nos conteúdos regulares não apareciam mulheres, e muito menos mulheres negras. Então a gente falava de revolução francesa, até a independência do Brasil e essas mulheres não apareciam. E quando apareciam, como o caso da Maria Felipa, que às vezes aparece, assim como também a Maria Quitéria, no caso da Maria Felipa que é negra, ela é sexualizada. Nesse recorte não era dado a elas o protagonismo real".
No projeto, que se estende por todo o ano letivo, os estudantes participam de seminários e escolhem uma personalidade feminina negra para ser representada por meio da boneca. Este ano, Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Tereza de Benguela e Carolina Maria de Jesus foram algumas das homenageadas.
"Aí eles escolhem, aí a gente começa pesquisa, apresenta o seminário, debate. Aí depois vão fazer na sala de aula um desenho de como eles imaginam que seria a boneca daquela mulher, se ela fosse uma boneca. Aí nós trabalhamos colorismo, cabelo, lábios, cor da pele, da importância do resgate desse tom, e eles vão escrever um pequeno texto que estimule a criança".
As bonecas, depois de serem expostas em uma mostra na escola, são entregues a escolas quilombolas da Rota da Liberdade no município de Cachoeira.
"O que a gente quer é levar material pedagógico e falar a nível de estrutura, que nós temos um país que tem uma estrutura que não traz a mulher negra no material pedagógico".