Cerca de 93% da população avaliam a saúde do país como péssima, ruim ou regular. É o que mostra pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina. Desse total, 26% avaliaram o sistema de saúde público e privado como péssimo e 34% como ruim, com notas que vão de zero a quatro, num total de dez.

As principais reclamações são tempo de espera e acesso a procedimentos complexos, como cirurgias e quimioterapias. 29% dos pacientes aguardam mais de seis meses por um procedimento, sendo que 16% deles, chegam a esperar mais de um ano.
Com relação à qualidade, os entrevistados consideraram que o gargalo está nas emergências, nos postos de saúde e nas consultas.
O Conselho Federal de Medicina reconhece que faltam também médicos, mas afirma que o problema está mais nas condições de trabalho e equipamentos e na valorização de carreira do que na falta de profissionais. O presidente da entidade, Roberto d'Avila, disse que o problema é grave e é preciso mais recursos para o setor.
Para Roberto d'Avila , a desativação de leitos, o atraso nas obras de novos hospitais e o aumento da expectativa podem tornar o problema ainda pior nos próximos anos. A pesquisa foi feita pelo Instituto DataFolha. Foram entrevistadas 2.418 pessoas acima de 16 anos em todo o país.
Procurado pela equipe da Agência Brasil para falar sobre a pesquisa, o Ministério da Saúde informou que os recursos destinados à rede pública mais que triplicaram nos últimos 11 anos, passando de R$ 27,2 bilhões em 2003 para R$ 91,6 bilhões em 2014. Esses recursos, segundo a pasta, garantiram resultados como a cobertura de cerca de 60% da população pelas equipes de Saúde da Família, com ampliação do acesso a 50 milhões de brasileiros, atendidos pelos 14,4 mil médicos do Programa Mais Médicos; 75% da população com acesso ao Samu; mais de 90% da cobertura vacinal, incorporando todas as vacinas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde; manutenção do maior sistema de transplante público do mundo, com 95% do total de transplantes realizados no SUS; e ampliação, desde 2011, de mais de 16 mil leitos do SUS em unidades mais próximas da casa do cidadão.