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Número de famílias desabrigadas por cheia diminui no Amapá

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Ariane Póvoa
12/05/2015 - 07:49
Brasília

A Defesa Civil do Amapá informou, nesta segunda-feira, que caiu de 44 para 26 o número de famílias desabrigadas por causa da cheia repentina do Rio Araguari, que atingiu os municípios de Ferreira Gomes e de Cutias na última quinta-feira (7).

 

A enchente foi causada por uma operação de abertura de barreiras da Usina Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, que está sendo construída na zona rural de Ferreira Gomes.

 

Em poucas horas, 380 casas foram inundadas e mais de 1.400 pessoas atingidas.

 

De acordo com o secretário-executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Estácio Janari de Oliveira, três abrigos haviam sido montados para dar assistência à população. Dois permanecem ativos, com cerca de 160 pessoas. Janari informou que o fornecimento de água e energia elétrica para a cidade já foi restabelecido:

 

"A parte elétrica foi restabelecida na sexta-feira (8) pela manhã. A casa de captação de água teve as bombas queimadas. Essas bombas foram trocadas no sábado (9). No sábado (9)  foi restabelecido o fornecimento normal de água. Mas, mesmo assim, tá sendo feito o fornecimento de água potável por meio de caminhões-pipa".

 

Segundo o coronel Janari, a parte da cidade em que a água entrou de forma repentina já voltou ao normal. Nesta segunda-feira (11), a Defesa Civil iniciou as ações de limpeza urbana, para retirar os entulhos deixados pela cheia.

 

O coronel não descarta a possibilidade de o episódio se repetir. Segundo ele, como a usina ainda está em construção, as fortes chuvas podem comprometer a capacidade de suporte da hidrelétrica:

 

"No estado tem chovido muito. E havendo ainda a incidência de chuvas intensas nessa área, é muito provável que uma quantidade de água que não seja suportável pela construção da hidrelétrica volte a acontecer.

 

Na última sexta-feira, o Governo do Estado do Amapá suspendeu a obra e a licença de instalação da usina por 10 dias, podendo haver prorrogação, devido ao descumprimento das condicionantes ambientais.

 

Em nota, a Empresa de Energia Cachoeira Caldeirão informou que está colaborando nos trabalhos de recuperação em Ferreira Gomes e prestando todo o suporte à comunidade local. A nota esclarece ainda que a Empresa realizou a abertura controlada na ensecadeira na margem esquerda para permitir a passagem das águas do rio. Ao realizar a manobra, houve um aumento de vazão que, segundo a empresa, não seria suficiente para causar o alagamento da região.

 

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e o Instituto de Meio Ambiente do Amapá vão investigar as causas que levaram a empresa a liberar o volume de água na construção da hidrelétrica. O laudo deve estar pronto em 40 dias. Os prejuízos ao estado e à população ainda estão sendo apurados.

 

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