Justiça do Amazonas decreta prisão de fazendeiros por desaparecimento de agricultores
A Justiça do Amazonas determinou a prisão temporária de dois fazendeiros acusados de participação no desparecimento de três trabalhadores rurais, no município de Canutama. A Polícia Civil do Estado procura os suspeitos.

As vítimas são diretores da Associação dos Produtores Rurais da Comunidade do Igarapé Arara. Marinalva Silva de Souza, Flávio Lima de Souza e Jairo Feitoza Pereira desapareceram na última sexta-feira quando saíram para fotografar e fazer levantamento da área para encaminhar ao Incra.
As famílias de trabalhadores rurais sem-terra reivindicam a destinação das terras da União, na localidade conhecida como Araras, para a criação de assentamento da reforma agrária. Mas uma empresa do ramo madeireiro afirma ser dona das terras. A questão está na Justiça.
Canutama fica no sul do Amazonas, a mais de 600 quilômetro de Manaus. O município está na divisa com Rondônia e fica mais perto da capital Porto Velho, cerca de 50 quilômetros.
No dia primeiro de dezembro, Flávio – presidente da associação e um dos desaparecidos, procurou a Comissão Pastoral da Terra para relatar ameaças que o grupo estava sofrendo, como conta Maria Petronila, coordenadora da CPT em Rondônia.
Marinalva, a vice-presidente da associação, também desaparecida, registrou um boletim de ocorrência na delegacia de Humaitá, no fim de novembro, após tratores destruírem as manilhas que facilitavam o acesso da comunidade.
A coordenadora da CPT relata que os trabalhadores rurais do assentamento estão revoltados. Para eles, as lideranças foram vítimas de uma tocaia.
Equipes das forças de segurança do Amazonas, peritos e Bombeiros de Rondônia, além de 11 militares do Exército participam das buscas pelos desaparecidos. O delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Mariolino Brito informou que os agentes estão trabalhando com o intuito de localizar os três desaparecidos com vida.
O juiz da Comarca de Canutama também autorizou busca e apreensão nas fazendas.
A identidade dos suspeitos não foi divulgada.