Após três meses, desaparecimento de líderes comunitários não foi solucionado no Amazonas
O desaparecimento de três lideranças comunitárias na divisa do Amazonas com Rondônia completa três meses sem solução. O crime é tratado como homicídio, mas ninguém foi preso e corpos nunca foram encontrados.

No dia 14 de dezembro do ano passado, Flávio Lima de Souza, Marinalva Silva de Souza e Jairo Feitosa Pereira saíram de casa munidos de GPS para fazer o mapeamento de terras para reforma agrária no sul do Amazonas. Nunca mais foram vistos.
Os desaparecidos participavam do movimento que ocupava o imóvel rural denominado Igarapé das Araras, em Canutama (AM), distante 620 quilômetros em linha reta de Manaus e a menos de 50 quilômetros de Porto Velho. Fazendeiros afirmam ter a propriedade da terra.
Três meses depois, embora os corpos não tenham sido encontrados, o crime é tratado como homicídio. A principal hipótese é que a motivação esteja ligada aos conflitos agrários na região.
O proprietário da fazenda, Antonio Mijoler Garcia Filho, e o empregado do local, Rinaldo da Silva Mota, estão foragidos desde dezembro de 2017.
O inquérito, iniciado pela delegacia de Canutama, foi transferido para Humaitá, também no Amazonas.
O delegado de Humaitá, Teotônio Rêgo, está licenciado e não confirmou se o inquérito já está na comarca. Ele falou sobre as dificuldades para a solução do caso.
Sonora: "A situação não teve muita evolução ainda justamente devido a essa evasão desses suspeitos. A gente segue me busca de novas informações, tendo contato com familiares, checando, as vezes, alguém que fala procura checar. Também dado o fato da própria demanda que nós já temos. A gente não consegue aquela dedicação exclusiva para aquela situação e também acaba gerando um pouco mais de demora.”
Cíntia Paganotto, advogada da Comissão Pastoral da Terra de Rondônia, esteve na delegacia de Humaitá e fala em descaso.
Sonora: “Os donos não foram ouvidos. O GPS que as pessoas portavam não foi rastreado. O mandado de prisão das pessoas suspeitas não está cadastrado no banco nacional de mandados de prisão, então, na prática, não são nem considerados foragidos.”
De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, os foragidos foram incluídos no sistema de procurados da Polícia Civil em janeiro deste ano e todos os demais envolvidos no caso já foram ouvidos.
A autoridade policial informou ainda que não há informações que levem ao rastreamento do aparelho eletrônico, o GPS, uma vez que é necessário checar prefixos, rede de monitoramento e a vida da bateria do equipamento.
O processo de regularização da área também está parado.
O Incra ingressou com ação judicial solicitando o cancelamento de registro irregular do referido imóvel rural, localizado em área pública federal. O pedido foi acatado liminarmente pela Justiça Federal. Desde então, a Superintendência Regional do Incra do Amazonas aguarda a conclusão do processo, para então definir a destinação da área. Segundo o Incra, o instituto já providenciou a realocação de parte das famílias para outra área.