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Moradores do Rio convivem com incerteza de mais mortes em decorrência das operações militares

Rio de Janeiro
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Raquel Júnia
23/08/2018 - 14:18
Rio de Janeiro

Desde o início das operações militares no Complexo do Alemão, da Penha e da Maré, na última segunda-feira (20), moradores dessas favelas têm convivido com o medo e a apreensão sobre a existência de mais pessoas mortas nos confrontos do que as anunciadas oficialmente.

 

Até o momento, o Comando Conjunto afirma que morreram 8 pessoas, cinco civis e três militares. Moradores têm relatado, no entanto, que foram vistos corpos em uma área da Serra da Misericórdia entre os complexos da Penha e do Alemão.

 

As denúncias fizeram com que na tarde desta quarta-feira (22), uma comitiva que reuniu as Defensorias Públicas do Estado e da União, a Comissão de Direitos Humanos da Alerj, e outras organizações de direitos humanos, acompanhadas de associações e coletivos locais, tentasse uma aproximação da área.

 

O ouvidor geral da Defensoria do estado do Rio, Pedro Strozenberg, afirmou que não houve a visualização de corpos,  mas que as instituições ouviram com muita apreensão os relatos dos moradores. Ele afirma que é preciso apurar com rigor essas denúncias.

 

Thainã de Medeiros, é morador do Complexo do Alemão e membro do Coletivo Papo Reto, uma das primeiras organizações a se pronunciar publicamente na noite de segunda-feira sobre os relatos dos moradores em relação a mais mortos e outras violações. Ele destaca a angústia que pesa sobre a comunidade.

 


Segundo relatos que chegaram até o coletivo Papo Reto, as operações reúnem outros abusos, como mulheres sendo revistadas pelos soldados de forma vexatória e revista de celulares sem mandado judicial.

 

Informações de alerta entre os moradores, por exemplo, pelo whattsApp sobre a presença dos militares, foram consideradas suspeitas e motivaram detenções.

 

Nesta quinta-feira(23), a Defensoria Pública conseguiu uma liminar para soltar três jovens da mesma família que foram presos durante as operações. O caso deles se encaixa nessas denúncias.

 

Segundo a defensoria, a prisão  foi motivada apenas por trocas de mensagens no celular sobre a operação, já que após a invasão da residência deles, sem mandado, não foi encontrado nem um ítem ilícito.

 

Procurado, o Comando Conjunto afirmou que acompanhou a comitiva nesta quarta-feira até a área em questão, e que  não foram encontrados corpos, que o local não está revirado e nem modificado na sua composição aparente, e que se trata de um ponto estratégico e de segurança, por isso está isolado.

 

Além disso, o posicionamento fala ainda, que se algum morador tiver familiar na situação de desaparecido, deve procurar o comando e informar o nome do suposto desaparecido.

 

O comando reforçou que a área está sendo protegida porque os militares não querem que os civis saibam os efetivos militares e as características dos equipamentos.

 

Os militares não responderam sobre as denúncias de revistas abusivas e reforçaram, mais uma vez, que o canal para informar qualquer tipo de denúncia é a Delegacia ou o e-mail ouvidoria.intervencao@cml.eb.mil.br com dados que permitam a apuração.

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