São Paulo tem espaço para extravasar a raiva

Publicado em 28/09/2021 - 17:21 Por Eliane Gonçalves - Repórter da Rádio Nacional - São Paulo

"Eu já quebrei  garrafa, já quebrei TV, micro-ondas..." Quem conta é Hilton Marcondes, que é vendedor, mora em São Paulo e anda meio estressado com essa história de pandemia. Mas, antes de sair quebrando tudo, ele foi até a Rage Room, em português, a Sala da Raiva. Um lugar onde a regra é extravasar quebrando tudo.

"A gente ficou meio com raiva, né, e essa sala de raiva veio pra gente extravasar de uma forma eficaz", ressalta Marcondes.

A sala de 35 metros quadrados fica em Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital paulista. Ela foi preparada para a destruição. No fundo, prateleiras exibem os objetos que podem ser quebrados. Uma espécie de cardápio da casa. Quem explica é Vanderlei Rodrigues, um dos criadores da Rage Room: "Por exemplo, um micro-ondas é R$ 15, uma TV, nós temos a partir de R$ 20, e 15 garrafas, por R$ 10."

Aí, é só colocar o capacete, os óculos de proteção e luvas, escolher a trilha sonora, pegar o tacos de beisebol, um pé de cabra ou a marreta e, literalmente, descer o sarrafo. A  sensação no final: "Muito muito muito desestressante. É pra relaxar mesmo", conta Vanderlei Rodrigues.

A psicóloga  Ana Paula Ricarte gosta da ideia de ter um lugar protegido para as pessoas extravasarem a raiva. "A raiva é uma emoção igual a todas as outras, porém, muitas vezes reprimida internamente ou externamente. Se você não tem autorização interna ou externa para expressar a raiva de forma correta, vai acabar disfarçando a raiva em tristeza ou outro disfarce da raiva, quando a pessoa não tem autorização para expressá-la corretamente, é a vingança."

Não deve ser por acaso que Vanderlei tem visto crescer o público feminino na Rage Room. Ele diz que, de cada dez pessoas que buscam a sala, oito são mulheres, e complementa: "A sociedade sempre proíbe a mulher: 'Ah não pode sentar assim, não pode ficar assim, não pode falar desse jeito' e aí quando chegam aqui é um lugar livre, né? Me chamam de coach da raiva, que, quando elas chegam ao local, não querem quebrar. Quebram, mas ficam com medo, com receio ainda de não poder e tal e, quando começam a quebrar, elas começam a a se animar, e a quebrar mais coisas."

E depois que tudo virou caco, o roda da sustentabilidade gira. Os produtos que estão na sala vêm de um ferro-velho local ou de catadores que trabalham na região. Depois de quebrados, voltam para o ferro-velho e seguem para reciclagem.

Salas como a Rage Room já existem em outros países desde 2008. Além de São Paulo, existe um espaço semelhante no Recife.

*Com produção de Dayane Victor

Edição: Roberto Piza / Beatriz Arcoverde

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
Saúde

Governo do RJ investiga morte de policiais com febre maculosa

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro investiga as mortes de dois policiais militares com suspeita de febre maculosa.

Baixar arquivo
Direitos Humanos

Código com leis que defendem as mulheres é lançado em São Paulo

A lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado e sancionada pelo governador João Dória, no último dia 15, reúne todas as leis que tratam de direitos das mulheres.

Baixar arquivo
Saúde

Rede de apoio auxilia pacientes a superar o câncer

Segundo a psicóloga Jucileia Rezende Souza, o suporte social é fundamental para a pessoa em tratamento de câncer.

Baixar arquivo
Direitos Humanos

Entrevista é Nacional: brasileira está entre as mais influentes da ONU

O trabalho de Clara Marinho em alinhar o orçamento público às políticas de raça, pelo combate à desigualdade, fez com que ela fosse reconhecida pela ONU como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo em 2021.

Baixar arquivo
Economia

Cai tempo médio para abertura de empresas no país

O tempo médio para abrir uma empresa no Brasil agora é de menos de dois dias. A marca foi alcançada em setembro e é inédita, segundo o Ministério da Economia. Dois anos atrás, uma nova empresa demorava quatro dias, em média, para ser aberta.

Baixar arquivo
Política

Especialista alerta que propaganda eleitoral antecipada é ilegal

A proximidade das eleições não significa que os possíveis candidatos já possam sair por aí pedindo votos. O calendário definido pelo TSE define que esse tipo de ação só poderá ser feita a partir do dia 5 de julho de 2022.

Baixar arquivo