Aperfeiçoar o diagnóstico precoce e fornecer um tratamento adequado para a queda de cabelos em mulheres negras. Um estudo do Ambulatório de Alopecias do Hospital Universitário Antônio Pedro da Universidade Federal Fluminense, procura justamente entender essas especificidades desse tipo de couro cabeludo.

Desde 2015, a unidade atende, semanalmente, pacientes diagnosticados com alopecia. Mais de 80% dos pacientes são mulheres negras. A professora de Dermatologia da UFF e coordenadora do ambulatório, Maria Fernanda Gavazzoni, explica que a alopecia é uma doença caracterizada pela queda de cabelo e pelos, que pode ser classificada em dois tipos.
"Existem mais de 50 tipos de alopecia. Elas são divididas em cicatriciais e não cicatriciais, ou seja, definitivas e não definitivas. Mas é um mundo, é um universo. Então a gente não pode só falar: "alopecia" como se fosse uma coisa única. E é uma coisa muito extensa, uma doença extensa, com desdobramentos, classificações, subtipos. Cada etnia tem, talvez, a sua predisposição. Qualquer pessoa pode ter problemas capilares. E o problema capilar é muitas vezes inflamatório".
Não existe uma causa específica para o surgimento da doença. Ela pode estar relacionada a fatores genéticos, alterações do sistema imunológico, ao uso de quimioterapia, no tratamento do câncer, ou até mesmo a outras doenças como lúpus e estresse.
Como estudo foi feito
A escassez de literatura médica sobre o couro cabeludo negro, somada ao fato de a maioria da população atendida na unidade ser preta e parda, motivou o ambulatório a se dedicar ao estudo das alopecias nessa população. A pesquisa foi dividida em dois grupos: um formado por pacientes negras, sem queixas e sem sinais de alopecia, e outro por pacientes com alopecias.
O objetivo é compreender melhor os critérios de normalidade dessa população, identificar os tipos mais comuns de alopecias, suas principais características e buscar formas de favorecer um diagnóstico precoce. Maria Fernanda Gavazzoni avalia que os hábitos de beleza das mulheres afrodescendentes influenciam na maior incidência de alopecia entre elas.
"As mulheres negras, por usarem penteados que tracionam as raízes e por terem raízes assimétricas, com crescimento irregular e os fios com redução de gordura lubrificante e de água, e os cachos em ângulos muito fechados, têm muito mais tendência à queda do cabelo".