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Misoginia nas redes: 90% dos canais de ódio a mulheres seguem ativos

Conteúdos polêmicos "são premiados" pela lógica da monetização
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Gabriel Brum - Repórter da Rádio Nacional
11/03/2026 - 17:58
Brasília
Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2023 - Ato denúncia em frente à Câmara Municipal, organizado pelo campanha Levante Feminista contra o Feminicídio, colocarão 210 cruzes nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, simbolizando cada uma das 111 mulheres assassinadas no estado em 2022 e as 99 mulheres assassinadas em 2023. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Humor, códigos e até a troca de letras por números ou símbolos nas palavras. Essas são algumas das estratégias usadas por produtores de conteúdo misógino para despistar mecanismos de moderação em redes sociais.

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que 9 em cada 10 canais de ódio a mulheres e que foram identificados na plataforma YouTube em 2024 continuam ativos.

Há dois anos, os pesquisadores do NetLab UFRJ encontraram 137 canais que veiculavam conteúdos misóginos, que são discursos de ódio, desprezo, aversão ou controle sobre as mulheres. Após uma revisão da pesquisa, neste ano, 123 deles ainda seguem no ar.

Esses produtores de conteúdo usam piadas e um vocabulário próprio para não disparar o alerta nas plataformas, explica a pesquisadora do NetLab, Luciane Belin.

"Por exemplo, para se referir a mulheres que são mães solo, eles usam Msol. Para se referir a mulheres com mais de 30 anos, eles utilizam balzaca. Tem uma série de palavras que eles foram desenvolvendo, estratégias que colocam números ou asteriscos ou alguns outros recursos de texto quando eles estão escrevendo palavras que podem ser entendidas como ofensivas, para não chamar a atenção da plataforma".

Outro fator é dinheiro. Conteúdos com grande audiência podem gerar ganhos tanto para quem publica quanto para as próprias plataformas.

"quanto mais tempo as pessoas passarem consumindo conteúdo na plataforma, mais tempo essa pessoa vai estar vendo anúncios e isso é economicamente interessante para as plataformas digitais. Por isso que canais que geram mobilização, que utilizam conteúdos polêmicos ou sensacionalistas, são premiados de certa forma na lógica digital, por que isso faz com que se venda mais anúncios. E 80% dos canais que nós identificamos que tem conteúdo misógino, eles também tem alguma forma de monetização". 

Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Levante Mulheres Vivas. Ato realizado em Brasília para denunciar o feminicídio. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além da permanência desses canais no ar, eles continuam publicando mais conteúdo com o mesmo teor e ampliando o alcance. Há dois anos, eram 19,5 milhões de inscritos. Agora, esse número subiu para mais de 23 milhões de perfis. Atualmente, essas páginas têm cerca de 130 mil vídeos publicados, 25 mil a mais que em 2024.

Nós pedimos um posicionamento do Google, responsável pelo Youtube, e aguardamos a resposta.

 

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