Ranking do Saneamento 2026 aponta falta de investimento no setor
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Mais da metade dos 100 municípios mais populosos do país investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento básico. O valor está abaixo do necessário para ampliar os serviços e garantir atendimento à população. Os dados são do Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil nesta quarta-feira (18).

Ao todo, 51 cidades investem menos de R$ 100 por pessoa, menos da metade dos R$ 225 por ano considerados ideais pelo Plano Nacional de Saneamento Básico para universalizar o serviço até 2033. Na outra ponta, apenas 17 municípios investem mais de R$ 200 por habitante e só dez atingem o nível de excelência.
A desigualdade aparece também no acesso ao esgoto. Nos 20 melhores municípios, a coleta de esgoto chega a mais de 98% da população. Já nos 20 piores, não passa de 28%. No tratamento, os melhores alcançam quase 78%, enquanto os piores ficam pouco acima de 28%.
A maioria das cidades com melhor desempenho está no Sudeste e no Sul. Já os piores resultados se concentram no Norte, no Nordeste e no estado do Rio de Janeiro.
Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos, todas em São Paulo, ocupam a primeira colocação, com serviços já universalizados. Já Santarém e Parauapebas, no Pará; Porto Velho, em Roraima; Rio Branco, no Acre; e Várzea Grande, no Mato Grosso, figuram entre as piores.
Em termos de evolução, Teresina, no Piauí, foi o município que mais subiu no ranking, ganhando 14 posições. Já Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e João Pessoa, na Paraíba, foram as cidades que mais regrediram, perdendo 14 postos cada.
Saúde
Segundo a presidente executiva do Trata Brasil, Luana Pettro, a falta de saneamento afeta a saúde das pessoas, reduz a produtividade e compromete o desenvolvimento, sendo um dos principais entraves para o Brasil avançar.
“A partir do momento em que a gente tem esse avanço, há uma diminuição do número de doenças de veiculação hídrica: dengue, esquistossomose, leptospirose, a própria diarreia. Essa diminuição no número de doenças faz com que as crianças tenham um melhor desenvolvimento físico, intelectual e neurológico, principalmente na primeira infância. Essas crianças vão ter uma escolaridade média maior. O adulto também, quando ele tem acesso ao saneamento, passa a produzir mais, porque ele fica menos doente. Os benefícios para as futuras gerações e para as atuais gerações são gigantescos”, explica.
De acordo com o Instituto Trata Brasil, hoje, mais de 30 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões não contam com coleta de esgoto.